A morte e a morte de Cesare Pavese

Nada mata mais um escritor do que reduzi-lo a representante de uma época, uma escola literária, um país.
Depois de ter escolhido a morte voluntária (vulgo suicídio) aos 42 anos, o italiano Cesare Pavese (1908-1950) continuou sendo assassinado à revelia por leitores e críticos – que insistem em vê-lo apenas como um representante da literatura européia do entreguerras (e, mais tarde, do pós-guerra), ou como exemplo de arte com preocupações sociais.
Militante do PCI a partir de 1945, e autor de uns tantos romances de indiscutíveis intenções sociais, Pavese era tudo isso, sem dúvida. Mas também era muito mais do que isso. Ou, pelo menos, poderia ter sido, se não tivesse se enredado na própria armadilha ou provado, tão precocemente, do mesmo veneno que ajudou a destilar.
Em princípio, qualquer vida é irredutível às circunstâncias em que se desenvolve. Mas alguns (fracos e delicados) acabam sucumbindo a ela. Foi o caso de Pavese: filho das colinas brutas do Baixo Piemonte, couberam-lhe (como costuma acontecer aos homens) tempos difíceis para viver. Uma Europa arrasada por duas grandes Guerras e – desgraça maior! – excessivamente politizada.
Aos desafios da política, Pavese respondeu com um interesse pelo destino do homem comum italiano, e com o engajamento consciente numa geração de intelectuais em que brilharam também nomes como Alberto Moravia, Carlo Emilio Gadda e Primo Levi.
Em 27 de agosto de 1950, Pavese acabou saindo da vida para se instalar definitivamente na incompreensão reducionista da posteridade.
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