Nem gritos nem sussurros: um minuto de silêncio

Faz tempo que não (re)vejo um filme de Ingmar Bergman, o sueco nascido em 1918 e morto nesta segunda-feira.
Certamente, vou aproveitar a incontornável efeméride para rever alguns.
Por sinal, nem de longe mereço ser incluído entre os que realmente conhecem - no sentido pleno da palavra - sua obra tão extensa quanto (dizem) desigual.
Mas guardo ainda a memória viva da experiência de assistir a, pelo menos, quatro obras-primas suas: O sétimo selo, Morangos silvestres, Persona e Fanny e Alexander. Foram momentos de fruição, mais do que estética, espiritual. Cada um desses filmes expressa aqueles três atributos que os grandes filósofos consideram indispensáveis a tudo quanto existe: exatidão, verdade e beleza.
Bergman andava meio fora de moda por aqui, sobretudo entre as gerações acostumadas ao blockbuster do cinemão internacional e ao miserê do cineminha brasileiro.
Mas seu legado continua circulando não apenas em locadoras de DVDs, mas principalmente na obra de um de seus "herdeiros" ilustres, não por acaso um dos melhores cineastas em atividade: Woody Allen (que já o "citou" em imagens e enredos tantas vezes).
Maiores detalhes (datas, depoimentos, filmografia), com os redatores de obituários. Por mim, em vez dos gritos e sussuros de praxe, acho que Bergman merece principalmente, num mundo tão barulhento, um minuto do mais límpido silêncio - como nos tempos áureos do cinema mudo.




Comentários
Amém.
Até porque um desses autores de obituários fez o favor de errar até a idade do homem...
Enviado por: André | julho 30, 2007 06:12 PM