O planeta do Sr. Bellow

Quando ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1976, o escritor Saul Bellow (1915-2005) deixou a Academia Sueca perplexa, ao dizer que uma distinção como aquela servia apenas para colocá-lo na desconfortável posição de servidor público dessa entidade grandiloqüente e suspeita: a cultura mundial.
Para alguém que se manteve fiel à idéia de consciência individual até o fim, na defesa dos valores mais elevados, não poderia haver pior “castigo”.
Certa vez, um repórter perguntou a Bellow como ele se sentia “como judeu”. O escritor ironizou: isso era o mesmo que perguntar a um peixe como ele se sentia em relação à água! Bellow habitava o judaísmo com essa natural intimidade, sem nenhum proselitismo. E, se cantou repetidamente sua aldeia (Chicago), foi para se manter fiel à lição de Tolstoi e atingir assim a universalidade.
Quem tiver olhos de ler, leia.




Comentários
Perfeito. Absolutamente perfeito.
Enviado por: Rodrigo Gurgel | julho 29, 2007 10:35 AM
Mas ele aceitou o prêmio? Cara de pau!
Enviado por: Persegonha | julho 29, 2007 09:01 PM