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Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em julho 30, 2007 às

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Ao contrário do que se pensa vulgarmente, Humanismo não significa a valorização generosa do indivíduo, mas o seu fechamento dentro de um horizonte histórico sem transcendência.

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A perspectiva humanista, longe de qualquer efetiva generosidade, como em geral se supõe, considera o homem e outros objetos terrenos inteiramente em si mesmos, como se nada houvesse por trás - e acima - deles.

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Na civilização humanista, reino da Ciência e da Quantidade, as artes passaram a ser ditadas pela perspectiva limitada do homem, e não mais por suas autoridades espirituais – como antes acontecia, por exemplo, com o canto gregoriano, o antigo teatro grego, o teatro Nô japonês e a poesia de Dante Alighieri.

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Se uma pintura como a do Renascimento, digamos, padece da falta de transcendência (por mais que seus pintores copiem Madonas e Santas Ceias), é justamente porque sua perspectiva é... humanista.


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Comentários

Muito bom. Estive pensando em como formular minhas reservas ao humanismo, não poderia ter encontrado melhor começo. Este post me faz lembrar a classificação de Corção em o Século do Nada (cito de memória): o erro do humanismo não foi o antropocentrismo, mas o antropo-excentrismo, (completo) o centro deslocado para a epiderme. O Amor sui péssimamente realizado, em suma, foi dar no realismo neutro: há já em Uccello a mesma presença indiferente que haverá em Buren, como o agravante que o último nem pintar sabe.

Corrigindo a frase final: com o agravante de que o último nem pintar sabe.

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