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Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em agosto 08, 2007 às

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Muitas línguas possuem estruturas léxicas e sintáticas diferentes – diferenças, em geral, ligadas a variações no ambiente físico e cultural em que cada língua surgiu e se desenvolveu.

Tamanha diversidade é mais um fator que enriquece a aventura humana sobre a Terra – sendo que esta Babel não impede o diálogo entre os povos ou a existência de valores e idéias universais.

* * *

Mas nem todos têm esta visão positiva e otimista.

Muitos vêem nesta diversidade uma espécie de barreira intransponível, capaz de “trancafiar” o espírito humano nos limites de seu idioma. Para esta corrente, chamada de determinismo lingüístico, o pensamento está sempre limitado às categorias e estruturas permitidas pela língua.

O determinismo lingüístico encontra defensores teóricos em várias partes do mundo, como os lingüistas norte-americanos Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf, o filósofo alemão Ludwig Wittgenstein e o psicanalista francês Jacques Lacan.

Todos eles acreditam que as diferenças entre as línguas se refletem nas idéias de seus falantes. Diferenças à parte, todos defendem a tese de que ninguém pode “pensar” fora dos parâmetros que cada idioma estabelece.

* * *

O que todos estes autores esquecem é que, se fosse assim, só os russos poderiam compreender e admirar Dostoievski – e a grandeza de um Shakespeare, por exemplo, estaria para sempre vetada a leitores que desconhecessem o idioma inglês.

Mais, até: além de negarem as virtudes da tradução (uma prática eficiente e consagrada), todos esses pensadores parecem ignorar que homem tem também um gênio não verbal, uma grandeza que se expressa através de outras linguagens – como a pintura, a música e a matemática.

(Graças a Deus!...)


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Comentários

Ainda que toda tradução carregue em si a melancolia...

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