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Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em agosto 21, 2007 às

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Maneirismos vocabulares e “excessos” de coloquialismo à parte, a verdade saltita diante de nossos olhos: não se pode destacar nenhuma conquista de ordem sintática, semântica ou estética trazida pela internet.

Tudo que se utiliza aqui na rede já estava presente na ferramenta primordial: a linguagem humana.

Simples assim: desde os proverbiais “primórdios” de sua aventura na Terra, o homem sempre contou com uma avançadíssima tecnologia: a linguagem.

* * *

Diante disso, desconfio que ficam sem sentido todas essas discussões esdrúxulas a respeito de uma eventual especificidade estilística da internet e da “superação do texto tradicional por uma nova forma de escrita”...

Mas nem sempre uma evidência tão simples tem se mostrado consensual. Com sua inesgotável capacidade de apostar em irrelevâncias, alguns estudiosos contemporâneos têm se dedicado a construir verdadeiras teorias anunciando uma nova forma de pensar, supostamente inaugurada com o advento da internet.

O ensaísta francês Pierre Lévy, por exemplo – certamente, um dos maiores defensores de uma suposta “inteligência coletiva”.

* * *

Notório por suas especulações sobre o impacto da informática no comportamento humano, Lévy sugere que, entre todas as variantes de “tecnologias da inteligência”, a informática seria aquela que oferece os “ambientes e ferramentas mais favoráveis à construção de uma inteligência coletiva”.

E isso, diz ele, passaria pelo processo de produção cooperativa de textos.

* * *

(A discussão só não é exatamente irrelevante, devido às eventuais – mas perigossímas! – conseqüências políticas que pode acabar nascendo
dos incansáveis discursos em defesa da internet.)

* * *

Em tempo: alinho-me, incondicional, entre os ardorosos defensores da rede – acima de tudo, por conta da sua grande novidade: não ter um núcleo central gerador e não ser administrada praticamente por ninguém.

Mas a verdade é que também não podemos perder de vista que a internet é “apenas” um formidável conjunto de redes de computadores interligadas, que utilizam a mesma tecnologia para enviar e receber informações.

O resto fica por conta do indivíduo. Nonada. É o que digo, se for. Existe é homem humano. Travessia.


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Comentários

Concordo com você. O fator mais importante é o humano.
Mas havia pensado numa espécie de inteligência coletiva, facilitada por este instrumento que representado por uma tela e um teclado exibem meu pensamento para você, pensamento que foi fruto do seu que já me foi exibido. O processo é quase instantâneo, não passa por mais ninguém. Não há desvios, não há revisores, nada. É tudo direto, na véia, ops, na veia.
Esse é o ponto inicial do caminho iniciado por você, com suas dúvidas, e afirmações. O sentido do diálogo é fundamental na nossa espécie. Somente por ele caminharemos adiante. Somos medrosos.
Poderíamos dizer que a inteligência coletiva - hoje - tem se demonstrado mais uma desinteligência que outra coisa. Fruto dos tempos. É certo também.
Mas para mim é maravilhosa esta possibilidade. A da interação. De convivermos e trocarmos idéias para um aprimoramento da linguagem. Coisa que somente ocorrerá no tempo certo. Ele terá que absorver essa inovação. Não sei quando.
Veja como a linguagem se desenvolveu desde Vieira até os nossos dias. Podemos reconhecer a beleza do seu texto, assim como no de Dalton Trevisan.
Hoje exigimos rapidez, portanto os textos são menores e piores. Alguns escrevem pouco e bem, numa linguagem já adaptado ao tempo dos computadores, outros escrevem pouco e mal.
Para terminar, acredito que ainda não conseguimos nenhuma mudança essencial na linguagem, influenciada pela internet. Mas ela ou elas virão. Estou certo disso. Não há censura que consiga deter esse efeito.
O homem sempre deverá estar preparado para os sinais. Eles quando não nos pegam distraídos têm um efeito fantástico sobre nós. A internet é um grande sinal. Não?

Ps. Desculpe-me. Fiquei empolgado.

Acho até que há uma influência da internet (pelo menos com a garotada que já nasceu dentro dela...) para pior, vejo isso no meu dia-a-dia como professor. Mesmo que eu ache a net uma ferramenta fantástica, hoje até indispensável em tantos aspectos, não acredito que ela gerará uma linguagem nova, no mínimo melhor do que já temos até hoje, pelo contrário, os escritores (novos!) que dizem hoje ter "saído da internet" geralmente são muito ruins em qualidade linguística, há uma pobreza vocabular inclusive que fada nossa língua ao uso corrente dos mesmos vocábulos, tornando-a muitas vezes chata, faça a experiência de pegar um desse escritores saído da net e leia umas 5 ou 10 páginas, é de uma pobreza vocabular incrível! E tenho minhas dúvidas sobre esse negócio de "inteligência coletiva", não será mais uma extravagância francesa?!

Grande abraço.

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