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Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em agosto 06, 2007 às

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Dentre os vilões que a Literatura nos legou, poucos encheram tanto a minha infância de medo quanto os terríveis cobradores de impostos dos contos de Andersen e dos irmãos Grimm e dos filmes das velhas matinês.

Com espadas, lanças e muita crueldade, invadiam as aldeias e terras de pobres camponeses para lhes arrancar – em nome do rei – suas poucas moedas e às vezes até o último grão de toda uma colheita esforçada.

A sociologia garante que o tempo dos reis tiranos já passou – e que a História pós-Revolução Francesa é marcada pelo crescimento irreversível da liberdade do cidadão, graças ao advento do Estado moderno.

Mas é justamente este Estado que municia seus acólitos com poderes e recursos tecnológicos que lhes permite invadir contas bancárias, grampear telefones, rastrear páginas na internet e confiscar documentos e bens pessoais – coisas inimagináveis àqueles cruéis soberanos, cheios de más intenções mas de limitados recursos.

É este mesmo Estado, em suma, que iguala (quer dizer, nivela por baixo) o gangster Al Capone e o cineasta Ingmar Bergman – cujas biografias, tão díspares, têm em comum o fato de terem sido presos por... sonegação de impostos!
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