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Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em agosto 14, 2007 às

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Uma das ilusões modernas, no campo da linguagem, é a de que o uso precede a norma. Esta seria apenas uma cristalização (para alguns, uma “castração”) do potencial criativo e comunicativo da linguagem oral.

Mas a linguagem humana (já falamos aqui) é muito mais do que um meio de comunicação: constitui, desde a origem, uma ferramenta formal, que nada tem de “natural” ou “espontânea”.

* * *

Nesse sentido, pode-se afirmar, sem exagero, que a escrita depende de normas, assim como a língua é constituída, no essencial, por sua norma culta.

Na verdade, a linguagem humana (articulada e formalizada numa gramática e amparada num conjunto de regras morais) é a coisa menos natural do mundo.

* * *

Certamente, não é pecado nenhum que a Literatura combine aspectos formais e informais da linguagem, tirando deles os efeitos mais criativos ou, pelo menos, mais adequados a cada situação.

Mas nunca será demais repetir: acreditar e apostar numa origem mais nobre para a linguagem (do formal para o informal, e não ao contrário) pode fazer toda a diferença.

* * *

Significa, para a escrita, um investimento em conteúdos mais consistentes, em estruturas mais ricas e mais consolidadas, num fraseado mais bonito e sublime. Retornando a essas origens, a arte da escrita não regride – pelo contrário: avança.

(Mais sobre o assunto? Leia em Não perca a prosa.)


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Comentários

Isso me lembra de um diálogo de Vivre Sa Vie, do Godard, entre uma prostituta e um filósofo. Alguns trechos dela:

Nana: The more one talks, the less the words mean.

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Nana: Why must one always talk? Often one shouldn't talk, but live in silence.

Nana: Words should express just what one wants to say.

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[When asked why one must talk]
The Philosopher: We must think, and for thoughts we need words.

The Philosopher: An instant of thought can only be grasped through words.

The Philosopher: One cannot distinguish the thought from the words that express it.

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