« “Quantos crimes em teu nome!” | Main | ‘Love story’ »

Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em agosto 10, 2007 às

null

Para emergir do caos originário, numa época em que ação e pensamento não iam muito além da satisfação de suas necessidades mais imediatas, os homens foram aos poucos formalizando sua linguagem.

A certa altura de sua trajetória, a simples comunicação já não lhes era suficiente: para se diferenciarem dos cachorros e abelhas, por exemplo, desenvolveram uma linguagem nominal, ou formal, capaz de nomear os objetos, as pessoas, os lugares e as situações – e, sobretudo, oferecendo-lhe recursos para formalizar o relacionamento entre os próprios homens, nos termos de um compromisso moral.

É uma pena que os estudiosos do assunto não ressaltem ou valorizem essa origem mais nobre da linguagem humana, preferindo a versão vulgar de que a palavra foi, a princípio, coloquial para só depois (e aos poucos) ir-se constituindo em forma convencional.

Uma exceção especial nesse universo teórico desanimador é o filósofo alemão Eugen Rosenstock-Huessy. Para ele, o maior defeito desses estudos reside na indistinção teórica entre a linguagem meramente informativa e fática (que é, de certa forma, comum a muitas outras espécies animais) e aquela que tem a força “das tragédias e dos grandes juramentos”.

Observando as crianças para tentar explicar a origem da linguagem dos adultos, diz Huessy, eles parecem ignorar a verdade óbvia de que a criança não explica o homem – mas, pelo contrário, o adulto tem chances de explicar a criança.
--------


TrackBack

TrackBack URL para este post:
http://www.apostos.com/mt/mt-tb.cgi/370

Comente

(Os comentários só serão publicados após moderação do dono do blog)

Comentários: