“Words, words, words…’

Para emergir do caos originário, numa época em que ação e pensamento não iam muito além da satisfação de suas necessidades mais imediatas, os homens foram aos poucos formalizando sua linguagem.
A certa altura de sua trajetória, a simples comunicação já não lhes era suficiente: para se diferenciarem dos cachorros e abelhas, por exemplo, desenvolveram uma linguagem nominal, ou formal, capaz de nomear os objetos, as pessoas, os lugares e as situações – e, sobretudo, oferecendo-lhe recursos para formalizar o relacionamento entre os próprios homens, nos termos de um compromisso moral.
É uma pena que os estudiosos do assunto não ressaltem ou valorizem essa origem mais nobre da linguagem humana, preferindo a versão vulgar de que a palavra foi, a princípio, coloquial para só depois (e aos poucos) ir-se constituindo em forma convencional.
Uma exceção especial nesse universo teórico desanimador é o filósofo alemão Eugen Rosenstock-Huessy. Para ele, o maior defeito desses estudos reside na indistinção teórica entre a linguagem meramente informativa e fática (que é, de certa forma, comum a muitas outras espécies animais) e aquela que tem a força “das tragédias e dos grandes juramentos”.
Observando as crianças para tentar explicar a origem da linguagem dos adultos, diz Huessy, eles parecem ignorar a verdade óbvia de que a criança não explica o homem – mas, pelo contrário, o adulto tem chances de explicar a criança.
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