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Arquivado em: amostra grátis — postado por Antonio Fernando Borges em setembro 30, 2007 às

Menino ainda, Machado de Assis percebeu a dimensão trágica do tempo – sua face voraz e inexorável.

O caráter irremediavelmente perecível das coisas: eis o “grande escândalo” com que o Bruxo (eterno ateu) se defrontou – e jamais conseguiu superar. A partir daí, a certeza da morte e a impossibilidade de “voltar atrás” se traduziram para ele num misto de fragilidade emocional e de responsabilidade moral sem precedentes.

De um lado, o sentimento de perda e as alfinetadas do arrependimento e da saudade; de outro, a consciência de que, por acontecerem uma única vez e em definitivo, os atos humanos adquirem uma dimensão e um peso difíceis de calcular: são irrevogáveis.

Da passagem de tantos e tantos momentos (transformados em horas, dias, semanas, meses, etc.), resta apenas a consciência humana, a uni-los como memória e aprendizado.

Em Machado, a consciência da passagem do tempo reforçou a consciência individual – nem é por acaso que seus romances e contos mais relevantes tenham sido escritos na primeira pessoa.

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(Leia mais sobre Machado, o tempo, etc. aqui.)


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Comentários

Dizer que Machado é uma estrela de primeira grandeza é cair num "lugar-comum" ridículo, mas é a única coisa que penso quando o leio (e o releio), em relação ao tempo este trecho reflete muito bem o que vejo em seus escritos: "Em Machado, a consciência da passagem do tempo reforçou a consciência individual", somente pessoas que buscam a sabedoria (que Machado buscou e encontrou) têm consciência desta passagem e de si. Para mim, a sabedoria é a melhor coisa no fim dos tempos (ou se preferirem, no princípio, no meio e no fim dos tempos:-).

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