“O espírito das leis”

Este blogue não costuma abrir espaço para resenhas de livros, nem perde tempo com guerra ideológica.
Mas é impossível não registrar aqui (no "espaço-tempo" livre da blogosfera) o surpreendente sucesso do novo livro de Diogo Mainardi, que driblou poderosos blockbusters da não-ficção e emplacou nada menos do que um segundo lugar na lista dos mais vendidos da Veja -- e o primeiríssimo no Globo.
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É um fato a ser comemorado em sentido estrito -- e lastimado, em sentido amplo.
Porque, se o fato representa a vitória da inteligência sobre a burrice, também significa que o próprio Mainardi estava certo -- ele que lamentou, mais de uma vez, que seu sucesso como articulista se devia ao interesse exagerado que a política desperta atualmente nas pessoas.
Pior ainda: significa que Napoleão Bonaparte estava monstruosamente certo.
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Leitor aplicado de Maquiavel, Napoleão vaticinou que a politização seria o destino inevitável (irreversível) dos tempos modernos.
No futuro (praguejava o corso), os homens politizariam tudo, rejeitando e empurrando para segundo plano tudo aquilo que a civilização ocidental sempre colocou acima da política.
Todo o precioso conjunto de valores morais e culturais que sempre sustentaram a civilização sairia de cena e, em seu lugar, entraria o bárbaro espetáculo da disputa voraz por poderes e idéias.
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(Trocando em miúdos: um tempo de pobreza do espírito, em proporções até então inéditas.)
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Ao menos nisso, o derrotado Napoleão acertou: vivemos este tempo de pobreza. Política e ideologia encabeçam o rol de preferências -- inclusive, nas conversas baratas de estudantes ou no bate-bola em esquinas de subúrbios.
Literatura virou política. Futebol virou política. Até a política saiu... "politizada".
Eis, enfim, a nossa desconfortável condição: ficar olhando para as listas dos mais vendidos sem saber escolher entre o atacado e o varejo, para abrirmos afinal o champanhe ou vestirmos nossa melhor roupa de luto.







































