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Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 30, 2007 às

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Este blogue não costuma abrir espaço para resenhas de livros, nem perde tempo com guerra ideológica.

Mas é impossível não registrar aqui (no "espaço-tempo" livre da blogosfera) o surpreendente sucesso do novo livro de Diogo Mainardi, que driblou poderosos blockbusters da não-ficção e emplacou nada menos do que um segundo lugar na lista dos mais vendidos da Veja -- e o primeiríssimo no Globo.

* * *

É um fato a ser comemorado em sentido estrito -- e lastimado, em sentido amplo.

Porque, se o fato representa a vitória da inteligência sobre a burrice, também significa que o próprio Mainardi estava certo -- ele que lamentou, mais de uma vez, que seu sucesso como articulista se devia ao interesse exagerado que a política desperta atualmente nas pessoas.

Pior ainda: significa que Napoleão Bonaparte estava monstruosamente certo.

* * *

Leitor aplicado de Maquiavel, Napoleão vaticinou que a politização seria o destino inevitável (irreversível) dos tempos modernos.

No futuro (praguejava o corso), os homens politizariam tudo, rejeitando e empurrando para segundo plano tudo aquilo que a civilização ocidental sempre colocou acima da política.

Todo o precioso conjunto de valores morais e culturais que sempre sustentaram a civilização sairia de cena e, em seu lugar, entraria o bárbaro espetáculo da disputa voraz por poderes e idéias.

* * *

(Trocando em miúdos: um tempo de pobreza do espírito, em proporções até então inéditas.)

* * *

Ao menos nisso, o derrotado Napoleão acertou: vivemos este tempo de pobreza. Política e ideologia encabeçam o rol de preferências -- inclusive, nas conversas baratas de estudantes ou no bate-bola em esquinas de subúrbios.

Literatura virou política. Futebol virou política. Até a política saiu... "politizada".

Eis, enfim, a nossa desconfortável condição: ficar olhando para as listas dos mais vendidos sem saber escolher entre o atacado e o varejo, para abrirmos afinal o champanhe ou vestirmos nossa melhor roupa de luto.



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 29, 2007 às

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Minha amiga mais bonita me ligou, hoje no fim da tarde, festejando a eleição de Cristina Kirchner para a presidência da Argentina. E, como à virtude da beleza ela costuma combinar o vício da provocação feminista, não me poupou de ter que ouvi-la dizer:

“É mais um passo importante para as mulheres da América Latina!”

A bela se referia, naturalmente, à presença de outra mulher (Michelle Bachelet) no comando de outro país (Chile). E, o que é pior, via na “coincidência” o sinal positivo de reparação para uma “injustiça de séculos”.

Além da irritação costumeira, tive pena da moça: deve ser terrível, sem dúvida, ver na condição feminina uma qualidade em si mesma. Como se a saída para as dores deste mundo dependesse, não do gênio, mas do... estrogênio!

Quando a grandeza ainda ditava as regras e dava as cartas, nem a política nem a literatura viviam na dependência de cotas e teses “hormonais”. Autoras talentosas como Clarice Lispector e Cecília Meireles (para ficarmos apenas intra-fronteiras) não tinham a preocupação miúda de impor uma “visão feminina” da vida. Sabiam que isso não existe – ou, caso exista, não tem relevância nenhuma.

Cecília, em sua obra-prima, cantou os sonhos e a miséria dos homens que fizeram a Inconfidência Mineira. Clarice, com brilho não menos intenso, criou grandes personagens masculinos – com destaque para o Martim, de A maçã no escuro, e o “professor de matemática” de um dos contos de Laços de família.

Depois que minha amiga mais bonita desligou, pus-me a pensar na tolice de todos que àquela altura já se punham a comemorar – e concluí que seu nome é Legião, e seu quartel-general, o Reino das Sombras...

Olhei pela janela: fazia escuro lá fora. Sem chances de voltar a “clarear” tão cedo.



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 28, 2007 às

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"Conhecimento sem bom senso é loucura em dose dupla".

Baltasar Gracián, jesuíta e doutor em prudência.
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Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 26, 2007 às

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"O homem prudente faz do ódio de seus inimigos um espelho, onde vê uma imagem mais fiel do que no espelho do afeto. É assim que ele diminui e corrige seus defeitos."

Baltasar Gracián (1601-1658), jesuíta espanhol.



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Por que você não escreve livros que as pessoas possam ler?"

Nora Joyce (1884-1951), mulher do autor de Ulisses.



Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 25, 2007 às

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O capitalismo no Brasil é tão episódico e eventual que, quando ele acontece, vira logo notícia e dá muito que falar.

A disputa entre as operadoras de telefonia celular, por exemplo: procedimento rotineiro em qualquer economia madura, chega a gerar matérias extensas, com direito a suítes e artigos analíticos.

É só ver também (outro exemplo) a forma “crítica”, quase acusatória, com que as manchetes de sites e publicações impressas costumam noticiar o lucro anual de determinada empresa – não muito diferente do tom com que se denunciam os grandes "escândalos”.

Para essa turma, (de)formada pela ótica da sociologia anticapitalista, o lucro é sempre escandaloso, e não a missão (obrigatória, afinal) de todo empreendimento econômico digno deste nome.

(Ainda me lembro de ter lido, tempos atrás, a “pérola” de um colunista denunciando que, em determinada feira-livre, uma barraca vendia o pepino 50 % mais caro do que a barraca ao lado. E ele ainda arrematava, brincando, mas com ares de sábio: “É o pepino da inflação de volta!” – desconhecendo completamente que o verdadeiro pepino, no caso, era sua ignorância a respeito das leis elementares da livre concorrência, este sistema “escandaloso” em que cada um vende seus produtos pelo preço que quiser, arcando com o ônus desta decisão.)

A razão de tudo isso, no fundo, é bem simples – quer dizer, é clara, mas bem grave e “complicada”. Formados segundo o credo re-vo-lu-cio-ná-rio, nossa imprensa e nossos intelequituais ignoram as regras e engrenagens do sistema capitalista – quer dizer, do mundo real, não dos tais “outros mundos possíveis”.

Em terra de capitalismo tão precário e mal praticado, o mercado editorial não poderia sair incólume – e um dos sintomas recentes deste drama é a questão do preço fixo do livro: não têm faltado editores e livreiros apontando a “injustiça criminosa” das grandes editoras e redes de livrarias que conseguem vender com desconto seus produtos (no caso, livros).

Seria o equivalente a achar absurdo que um supermercado consiga vender seus produtos (no caso, ovos, arroz e feijão) mais baratos do que a quitanda da esquina. Segundo esta ótica (sempre deformada), justiça seria sinônimo de "tabelamento". E tabelamento, caro leitor, todos nós sabemos aonde leva: escassez de oferta, mercado negro, etc.

As “sociedades justas”, por sinal (os tais “outros mundos possíveis”), costumam mesmo ser assim: mundos com poucos ovos, arroz e feijão escassos, carne quase nenhuma. E, em geral, bem poucos livros.



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 24, 2007 às

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"Como diretor de marketing, posso afirmar: somos um bando de franciscanos! Meus caros amigos publicitários, meus diretores de criação, meus colegas do planejamento, meus velhos companheiros de copo, cruz e trabalho: nós fomos enganados a vida inteira! As pessoas nos diziam que éramos convencidos, vaidosos, metidos à besta, insuportáveis. E eu, pelo menos eu, acreditava nisso. Como eu convivia a maior parte do tempo com publicitários, achava realmente que fazíamos parte de uma classe de pessoas extremamente auto-referenciadas, vaidosas, egocentradas.

Agora que sou diretor de marketing, editor de livros, cliente, trato com outro tipo de seres humanos, estou totalmente à vontade para afirmar: somos um bando de franciscanos! Deveríamos, em nome da coerência, usarmos sandálias de couro, cinto de corda e comer somente pão e vinho com água.

Estou atualmente lidando com editores de livros, autores de livros, jornalistas de cultura e posso garantir a vocês: ego inflado é isso. Qualquer pessoa que trabalhe no mercado editorial normalmente tem auto-estima capaz de transformar Maria Callas numa freirinha de paróquia."

Lula Vieira, o "publicitário-beleza".
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Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Antes de ter uma literatura, um país precisa ter uma alma."

Carolina(1890-1981), a flor dos Nabuco.



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Só há um tipo pior do que o esquerdista sem princípios – é o esquerdista com princípios."

Diogo Mainardi, o cristalino.
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Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 22, 2007 às

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Meus últimos posts têm sido vítimas de comentários agressivos que, em vez de discutir minhas idéias, procuram me ofender e destruir o clima pacífico e bem-humorado com que proponho as discussões por aqui.

Por isso venho avisar de novo a estes "piratas" que tentam tomar de assalto meu blog: recuso-me a publicar comentários ofensivos, ou que defendam bandidos como vítimas da sociedade; que façam qualquer tipo de apologia de ecoterroristas ou mesmo de assassinos como Che Guevara; ou então que procurem justificar a prática do aborto -- coisinhas "suaves" assim...

Não percam seu tempo: aqui vocês não têm vez!

E, antes que venham com a velha lenga-lenga de "que democracia é essa?", torno a repetir: sorry, mas aqui neste barraco mando eu!

Vão procurar sua turma! Xô!



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em às

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* Perder incontrolavelmente a paciência.

* Perder irreparavelmente uma chance.

* Perder inapelavelmente um amor.

* Perder inesperadamente a esperança.

* Perder inexplicavelmente a fé.

Inferno: quer se libertar do seu?



Arquivado em: dois dedos de crônica — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 20, 2007 às

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Se houvesse mais justiça, mais sensatez e menos igualitarismos no mundo, é claro que tudo estaria acontecendo de outra forma. Eu (um simples humano) teria sido tratado com mais respeito e mais consideração do que, por exemplo, a velha amendoeira condenada que há meses ameaça tombar sobre os transeuntes, na esquina da minha rua.

Infelizmente, nestes tempos de relativismo moral, eu não teria tido mesmo muitas chances diante daquele vegetal vetusto – cercado por belas moçoilas devotas, naquela manhã de quarta-feira.


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De mãos dadas, obedientes e decididas, parecia que as garotas estavam brincando de roda em torno da árvore-anciã. Mas o olhar de má-fé da maioria delas dava conta de que a inocência da infância já deveria estar longe...

Em coro, elas iam repetindo as palavras de ordem de algum Manual nefasto da nova tirania ecológica, com seu rosário de mentiras convenientes: salvem o planeta, respeitem as árvores, chega de opressão dos humanos...

(Fosse outro o mundo, e outros os tempos, o espetáculo interessaria apenas a antropólogos desocupados ou a algum psiquiatra de plantão. Mas a pajelança das meninas já atraía gente demais para aquela hora matinal. E a maioria, pelo visto, apoiava o ritual insensato.)

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Atrasado para meu compromisso, imaginei que seria fácil atravessar a cena despercebido – eu era, afinal, apenas mais um ser humano. Mas minha vizinha de andar me reconheceu e, com voz de ultimato, soltou-se da roda e veio até mim. Cobrou minha participação de morador da rua e habitante do planeta.

(Pensando melhor: desde que ficou sabendo que eu era escritor, um "consumidor de árvores", a moça passou a me olhar diferente.)

Com o semblante sempre em riste, o dedo acusatório apontado em várias direções, a bela me informou: elas estavam ali para evitar uma tragédia. Aliás, "a pior de todas": o corte da velha amendoeira pela Prefeitura!

“Os malditos homens da serra elétrica vão chegar a qualquer momento. Você vai permitir que façam isso?”

As muito feias que me perdoem – mas nem aquelas lindas ambientalistas conseguiram evitar que eu aplaudisse: até que enfim, tomavam alguma medida contra aquele tronco apodrecido que a qualquer momento poderia cair sobre a cabeça das pessoas. "Seres humanos", argumentei... Nossos irmãos, nossos semelhantes...

Em vão.

“O que são meras pessoas, diante da dignidade e grandeza de uma árvore centenária?!”

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Àquela altura, o atirei-o-pau-no-gato já tinha sido interrompido, e todas aquelas beldades se acercavam de sua líder (minha vizinha de andar), que parecia estar sendo ameaçada por um monstro: eu. Um macho opressor, capaz de argumentar ainda em favor da superioridade de humanos sobre os vegetais oprimidos.

“Você não tem sentimentos? Nenhuma religiosidade? Não acredita em nenhum deus?”

Tratei de explicar que acreditava, não “num deus”, mas em Deus – e até caprichei nos gestos, para realçar a maiúscula. E ainda acrescentei: “Que eu saiba, Deus não nasce em árvores!...”

Mas tanto o humor quanto os argumentos razoáveis só costumam funcionar com seres racionais – e, sobretudo, bem-humorados. Tive que me afastar dali às pressas, debaixo de uma vaia das mais vexaminosas.

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(E como doeu! Foi duro, Deus do céu!, sentir na pele o desprezo de moças tão bonitas...)

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Passei o resto do dia às voltas com assuntos profissionais, editores e livros – estes objetos nefastos, responsáveis pelo abate de tantas árvores...

Quando voltei para casa, à noite, o susto: a amendoeira ainda estava lá! E continua lá, até agora.

Dormi mal naquela noite (praticamente, não dormi), e ainda não tive coragem de perguntar a um vizinho ou ao porteiro por que “os homens da serra elétrica” não cumpriram sua louvável missão.

Ainda não recuperei a calma, e agora só saio de casa com o coração sobressaltado. Olho para os lados, quando atravesso a rua. Suo frio nas mãos. Temo pelo pior.



Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 19, 2007 às

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"A intuição feminina é o resultado de milhões de anos sem pensar."

Rupert Hughes (1872-1956), jornalista americano.



Arquivado em: 3 x 4 — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 18, 2007 às

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Um dia Lima Barreto – mulato pobre, tipicamente brasileiro – alimentou o sonho de ser doutor. Tinha só 16 anos quando se matriculou no curso de engenharia da Escola Politécnica – que precisou abandonar para trabalhar como funcionário público dos mais modestos na Secretaria da Guerra.

Quando se tornou escritor, tratou de se vingar: já no romance de estréia, Recordações do escrivão Isaías Caminha (1907), exorcizava sua humilhação e seu fracasso, através da história do moço pobre do interior (o personagem-título) que sonhava em ir para o Rio de Janeiro estudar e, com diploma e anel de doutor, abrir caminho “para o superior respeito dos homens e para a superior consideração de toda a gente”.

(“Ah! Doutor! Doutor!”, sonhava o jovem Isaías. “Era mágico o título, tinha poderes e alcances múltiplos”.)

A obra de Lima Barreto talvez não seja exemplar como literatura. Mas é, sem dúvida, um retrato emblemático do nosso espírito bacharelesco. Sua vida também não fez por menos: sem ter realizado o sonho de se tornar doutor, o desafortunado escritor carioca se sentia marginalizado, olhando a todos com muita desconfiança.

Mas talvez nem desconfiasse que seu drama pessoal resumia, no fim das contas, o imaginário popular nacional, sempre oscilando entre as figuras do marginal e do doutor. A meio caminho entre os dois, Lima Barreto parece ter-se “consolado” na condição de escritor.

Mas o fato é que o ressentimento (e basta ler Policarpo Quaresma ou Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá) foi sempre, para ele, uma segunda pele.



Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"A mulher começa resistindo aos avanços do homem e termina bloqueando a sua retirada."

Helen Rowland (1875-1950), jornalista americana.
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Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Há duas tragédias na vida: uma é não alcançar o que o seu coração deseja; a outra é alcançar."

George Bernard Shaw (1856-1950), o irlandês genial.



Arquivado em: dois dedos de crônica — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 17, 2007 às

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A quantidade (incomum) de comentários à minha recente crônica sobre a banalidade do amor pode ser indício do sucesso crescente deste blogue – mas diz muito, também, sobre o ressentimento e a tolice das mulheres.

Todas femininas e essencialmente agressivas (com raras exceções, impublicáveis), as mensagens me cobram explicações e – pasmem! – pedidos de desculpas.

De um lado, exigem que eu justifique por que o amor não deveria ser banal, como de fato é; de outro, impõem que eu me desculpe com as mulheres (que teriam sido denegridas no meu texto), em especial com a bela caloteira brasiliense, de quem pintei um retrato nada lisonjeiro, a ponto de ter ofendido sua honra... Deus do céu!

* * *

Tamanha tagarelice me lembra aquelas (hoje vetustas) feministas dos anos 60, que vociferavam contra Machado de Assis por ele ter tratado uma personagem adúltera (Capitu) como... adúltera!

Sem querer confundir ficção e realidade, arrisco dizer que as situações se parecem: tanto Capitu quanto a vilã de Brasília tiveram seus erros descritos e moralmente criticados por Machado e por mim. Só isso.

* * *

Alegar “ofensa à honra” de quem não demonstra possuir tal virtude é um procedimento típico destes tempos de relativismo moral e correção política.

Pensando melhor, creio que dá para entender a grita vulgar dessa gente: quem não é adulto o bastante para assumir suas próprias culpas (como a Capitu, em Machado, e a bela caloteira, em Brasília) talvez não esteja mesmo à altura de receber um castigo...



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em às

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* Depender da eficiência (e do humor) de burocratas.

* Depender das circunstâncias.

* Depender da gentileza de estranhos.

* Ser dependente de um vício. Ou do amor de uma mulher.

Inferno: já se livrou do seu?



Arquivado em: 3 x 4 — postado por Antonio Fernando Borges em às

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Herbert George Wells (o escritor inglês que a posteridade consagraria com o nome abreviado de H. G. Wells) gostava de delirar a respeito do futuro.

A princípio, eram apenas romances, ficções científicas de segunda – como A máquina do tempo, O homem invisível e A guerra dos mundos. Mas logo o pernóstico autor quis passar das palavras à ação. Idéias, afinal, sempre acabam tendo conseqüências.

No caso de Wells, tais “conseqüências” atendiam pelo nome sinistro de "mundo planificado", que ele sonhava em ver implantado através de um fatídico Estado Mundial - este mesmo que a ONU vem ajudando ultimamente a implantar...

Para passar das palavras à ação, Wells em 1928 escreveu The open conspiracy (A conspiração aberta), que acabaria se tornando o programa do chamado Socialismo Fabiano, ou Fabianismo.

Consagrado como inocente escritor para adolescentes, Wells era principalmente um integrante ativo da Sociedade Fabiana, uma entidade conspiratória fundada pelos escritores ingleses Sidney e Beatrice Webb – no fim das contas, agentes financiados pelo governo soviético.

Sem se envolver em atentados, comícios, passeatas ou conspirações de alcova, o Fabianismo se propunha preparar intelectuais para colocá-los em altos postos de assessoria, de onde passariam a inseminar idéias socialistas nas cabeças dos governantes. Sem armas, sem brigas, sem ruptura – mas não se pode dizer que “sem violência”, é claro.

(Uma proposta diabólica de dar inveja ao italiano Antonio Gramsci – e que efetivamente o antecipou.)

H. G. Wells se tornou nada menos do que um dos mentores deste pesadelo. Talvez por isso, meu padrinho de crisma (homem lido e bem-informado) ficasse me olhando com cara de preocupado enquanto eu lia e relia, na adolescência, os romances baratos de Wells.

Idéias, afinal, têm conseqüências – e às vezes gravíssimas..
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Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 16, 2007 às

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"Poema nenhum, nunca mais, / será um acontecimento: / escrevemos cada vez mais / para um mundo cada vez menos"

Alberto da Cunha Melo (1942-2007), in memoriam.



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 15, 2007 às

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"Me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso."

Provérbio oriental, num velho ano qualquer.
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Arquivado em: dois dedos de crônica — postado por Antonio Fernando Borges em às

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Entre as “formas do inferno” que costumo listar com certa (ir)regularidade, um amigo de Brasília me pede que inclua “amar e desejar, mas não querer” – que é hoje seu inferno particular.

Pede-me um pouco mais, o moço: quer que eu aproveite seu drama pessoal em alguma obra futura, convicto de que sua história de amor mereceria um belo romance.

Por solidariedade masculina, não soube dizer ao moço, na hora, que sua tragédia de amor já tinha sido escrita, e não-sei-quantas vezes...

* * *

Todo amante infeliz pode até admitir o absurdo de seu sofrimento – mas nunca sua banalidade.

Com meu amigo de Brasília, não aconteceu diferente. Sua história há de render, no máximo, um parágrafo de prosa piedosa.

Conheceu a moça (jornalista, como ele) numa feira de negócios. Paixão à primeira vista e, ao menos em tese, recíproca: ela lhe repetia “Eu te amo” com a freqüência com que se diz “Bom Dia” aos vizinhos.

A bela (mandou-me a foto: linda mesmo) amou-o durante três meses e oito mil reais – quantia que conseguiu extrair em pequenos empréstimos. E, após o início banal, veio o desenlace ainda mais prosaico: rompeu com ele inesperadamente, alegando preferir “ficar sozinha”...

* * *

(Mas logo seria vista circulando com outros – incautos, apaixonados e casados como ele.)

* * *

Não devolveu o dinheiro emprestado, chegando ao ponto de se fazer de ofendida diante da cobrança. Acusou-o de “abusar de sua confiança”; pediu que nunca mais a procurasse; vira-lhe o rosto, até hoje, quando o encontra em alguma eventual superquadra.

É esta história prosaica que ele imagina digna de alguma Literatura. Pior: da minha Literatura...

Ferido como ele está, ainda não encontrei um jeito suave de lhe dizer que o amor banal dos humanos é como a pobreza material: não rende um romance que preste – a não ser, claro, nas mãos de um Dostoievski, alguém capaz de dar alguma transcendência ao tema.

* * *

Há dias não tenho notícias deste querido sofredor de Brasília.

Mas não vou ficar surpreso se, no próximo telefonema ou e-mail, vier a me dizer que resolveu não engolir o desaforo e contratou um advogado ou detetive para reaver, ao menos, o dinheiro perdido.

Quem sabe me diga, inclusive, que a ameaçou e a agrediu. E até (mais previsível ainda) que conseguiu finalmente esquecê-la – mas que é ela, agora, quem corre atrás dele, implorando por uma segunda chance.

Todas as histórias de amor se parecem. Talvez por se esquecerem disso, existam tanto amantes ruins. E romancistas piores ainda.



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 13, 2007 às

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Quando a vulgaridade da sociologia ainda não tinha tomado conta de tudo, um dos maiores prazeres de qualquer garoto era ganhar um revólver de brinquedo – fosse Natal, aniversário ou Dia das Crianças.

Naquele tempo (quem ainda se lembra?), a cretinice da pedagogia politicamente-correta mal engatinhava. Brincar de bandido-e-mocinho era muito mais do que uma inesquecível brincadeira: por trás daquela violência aparente (no fim das contas, violência nenhuma), na verdade a meninada estava assimilando todo um conjunto de valores, que consolidavam o melhor de cada um de nós – nossa alma humana.

Revezando-se nos papéis, bandido e mocinho se enfrentavam para ajudar a lembrar, a cada manhã de folga, que o Bem era o Bem, e o Mal era o Mal. Sem negociação possível.

(Tudo isso - detalhe importante! - também reforçava em nós a certeza de que cresceríamos másculos, viris, sem fragilidades ou fricotes.)

Destruída esta base pedagógica inestimável, recolhidos os brinquedos “violentos” em nome de um relativismo moral ridiculamente pacifista, o resultado aí está – e quem tiver olhos de ver que veja: gerações de rapazes mimados, homens emasculados e confusos, que só conseguem reagir com medo e covardia à escalada crescente da bandidagem.

Por isso é um alívio – um sopro de frescor e de esperança! – ver a população acatar e aplaudir a lição trazida pelo filme Tropa de Elite, que anda lotando as salas de cinema em todo o país.

Nas entrelinhas das cenas de violência (que no fundo chocam apenas nossos intelequituais), a mensagem que passa é bem maior: desponta novamente no horizonte a idéia de que bandido é bandido, não uma vítima do capitalismo selvagem – e que as vítimas, na verdade, somos nós, os homens de bem. Isto não é ideologia: isto são fatos.

Iabadabadabaduuu! O mocinho está de volta à cena. Até que enfim!



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 12, 2007 às

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"A única simplicidade que vale a pena conservar é a do coração."

G. K. Chesterton, o menino imenso.



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Balé e ópera são artes de mulheres."


Paulo Francis, o operístico.



Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 11, 2007 às

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"A intuição é esse estranho instinto que permite à mulher saber que está certa, mesmo que ela não esteja."

Helen Rowland (1875-1950), jornalista americana.



Arquivado em: dois dedos de crônica — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 10, 2007 às

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Um amigo que trabalha num grande grupo editorial (não vou dizer o nome) telefonou-me dias atrás, querendo contratar meus serviços para coordenar uma coleção literária. Perguntou-me quanto eu cobraria – mas, ao ouvir a cifra sugerida, reagiu incomodado:

“Vem cá... mas este é o preço do mercado?”

“Não: este é o meu preço.”

* * *

Do outro lado da linha, meu amigo (tudo parecia indicar) tinha ficado assustado, dissimuladamente inquieto. Depois de um rápido silêncio, argumentou que tinha realizado uma sondagem de preços e “lamentava me dizer” mas... meu orçamento não condizia com o chamado “preço de mercado” – na verdade, estava um tanto acima. Ele ainda ironizou:

“Logo você, que vive defendendo este tal de mercado...”

Em vão tentei explicar que o mercado de que eu sempre falava era (simplesmente) um conceito, uma idéia - enfim, um “lugar teórico”, onde a oferta e a procura de qualquer produto ou serviço se encontram e as transações acontecem, com qualidades e faixas de preços diferenciadas. E que, justamente por isso, não existia este tal “preço de mercado”.

“Preço, neste caso, é coisa de tabela, sindicato, corporação – e não de mercado”, arrematei.

Impacientou-se comigo; reclamou que eu vivia complicando as coisas, e que aquilo tornava a negociação bem mais difícil. Ainda desconcertado, encerrou a ligação prometendo me dar um retorno.

(Que, aliás, ainda não deu...)

* * *

Fiquei pensando no desconcerto do moço: ao contrário da acusação que me fez, era ele quem estava complicando as coisas, com seu desconhecimento das regras mínimas do funcionamento disso que se costuma chamar (com indisfarçado desdém) de mercado – e que, na verdade, é apenas o equivalente econômico da idéia essencial de liberdade.

(Nem é à toa, pensei, que o fracasso essencial de toda ditadura é sempre – imediatamente – econômico.)

Nos últimos tempos, cada vez mais envolvido com livros e editoras, a cantilena que mais tenho ouvido bate sempre numa tecla: a da “incipiência e fragilidade do nosso mercado editorial”...

Mas a verdade me parece ainda mais grave: pensando na reação recente de meu amigo, só posso concluir (não sem calafrio e desconforto) que incipiente e frágil é o próprio capitalismo, tão mal instaurado entre nós.

(Tão atacado... Tão denunciado... Tão inexistente!)



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 09, 2007 às

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Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Toda garota com cérebro deveria fazer alguma coisa com ele, além de pensar."

Anita Loos (1889-1981), escritora americana.



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 08, 2007 às

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"Na terrível história da fome no mundo, nunca houve fome maciça em qualquer país independente e democrático, dotado de imprensa relativamente livre. Essa regra não tem exceções, por mais que se procure."

Amartya Sen, economista indiano, Nobel de 1998.
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Arquivado em: entrevistas — postado por Antonio Fernando Borges em às

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Num mundo que padece de “demasias” (com gente, livros, filmes e até blogs demais), o jornalista, poeta e editor José Enrique Barreiro aposta, como poucos, na supremacia da qualidade sobre a Quantidade – hoje senhora e rainha quase absoluta. Desde 1997 no comando da Versal Editores, vem publicando livros e gerando conteúdo para grupos empresariais brasileiros e de outros países – na exata contramão dos que apostam na crise do livro e do capitalismo.

Publicar livros, para José Enrique Barreiro, tem que ser uma atividade prazerosa, ainda que não tão rentável quanto vender anzóis ou representar produtos farmacêuticos... E é dentro deste espírito que ele acredita não haver limites para o conhecimento e a criatividade do ser humano. Que venham, então, mais gente, mais livros, mais filmes e (por que não?) mais blogs.

Em tempos marcados pelo ceticismo sombrio e por um cinismo sem freios, é um alívio ver este cavalheiro à antiga ajudando a nutrir nosso mundo com sua sensibilidade e esperança.

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Editar livros tem futuro como negócio no Brasil?


Talvez eu não seja a pessoa certa para responder esta pergunta. Sou um editor que anda meio na contramão do mercado. Não edito livros como negócio, mas como atividade prazerosa. Mas arrisco dizer que sempre haverá mercado para o livro. Ele apenas terá que conviver com outras formas de criação e produção de conhecimento e arte. Coisa, aliás, que já acontece. Escritores e editores terão que encontrar caminhos para afirmar a presença do livro nessa babel cultural em que vivemos e viveremos. É criatividade e trabalho, muito trabalho, meu chapa.



Já não há livros demais no mundo?


Sim. Mas também há gente demais, carros demais, blogs demais, filmes demais... O mundo talvez esteja padecendo de demasias, roseanamente falando. Procuro produzir poucos livros por ano e tratar muito bem a cada um deles. Repito: é fundamental deleitar-se. Por isso escrevo e edito. Se não fosse isso, procuraria uma atividade mais rentável: uma loja de anzóis ou uma representação de produtos farmacêuticos, sei lá.


O que ainda falta(ria) editar?

É um paradoxo que haja livros em demasia e ainda haja tanto por editar. Não há limites para a produção do conhecimento e para a criatividade humana. Tudo o que será conhecido e criado estará por editar. No Brasil há espaço para livros que iluminem o grave apagão intelectual e espiritual que ofusca a maior parte das mentes deste país.


Afinal: na média, o livro brasileiro é caro ou barato?

Depende da renda do sujeito. A referência é a renda. Para quem ganha bem, é relativamente barato. Muito mais barato que um jantar, por exemplo. Para o pobre, é caro. Agora, o livro tem seu custo e seu preço. É na ponta do lápis. O Lula, que faz questão de dizer, com certo orgulho, que não entende nada de livros, saiu por aí bradando que o livro é caro porque as editoras querem ganhar muito. Você veja como a ignorância produz manifestações patéticas. Ora, as editoras são as empresas que investem no livro e hoje ficam com cerca de 30 a 40 por cento do seu preço final. A maioria vive com a língua de fora. Como há muito mais editoras que pontos de venda, estes últimos, pelo jogo de pressão do mercado, vêm mordendo fatia cada vez maior da composição do preço do livro, principalmente as grandes redes. É o mercado, meu chapa.

Não sou contra o mercado, pelo contrário. Mas seria papel das associações de editores (sem governo, deixa o governo de fora, quanto mais longe de governos, melhor) estimular, por exemplo, o fortalecimento da pequena livraria, de bairro, onde também se forma o gosto pela leitura e onde se resiste ao livro como produto de prateleira e às grandes redes livreiras com suas exigências descomunais. Os ingleses fazem isso. Lá, a pequena livraria tem todo o apoio das associações de editores e escritores. Já aqui....



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 05, 2007 às

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"Direitos humanos são para humanos direitos."

Anônimo, século XXI.



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 03, 2007 às

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"O talento se aprimora na solidão, o caráter na agitação do mundo."



Goethe, o mestre romântico.



Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Pessoas bonitas contam com certa imunidade que quase as dispensa de terem uma moral."

Thomas Mann, o feio.
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Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 02, 2007 às

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"A ingratidão nasce, quase sempre, da impossibilidade de pagamento de uma dívida."

Balzac, o eterno endividado.



Arquivado em: entrevistas — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 01, 2007 às

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O negócio de editar livros é, por natureza, pequeno, descentralizado, improvisado e pessoal - ou, pelo menos, é o que afirma o americano Jason Epstein, ex-diretor editorial da prestigiada Random House, importante editora em escala planetária, que de pequena e improvisada, aliás, não tem nada. Hipocrisia? Nem tanto: talvez seja simples necessidade de negar a realidade, uma superstição anticapitalista bem contemporânea...

Parece que o destino do "negócio de editar livros", em todo o mundo, é não ser levado tão a sério quanto as outras atividades capitalistas. E no Brasil (mais grave ainda!) parece quase um destino do próprio capitalismo não ser encarado (ou não se aceitar) como tal.

Talvez justamente por isso, o negócio (capitalista) de editar livros atraia tantos sonhadores. Um deles é Alvanísio Damasceno, amigo querido, poeta e jornalista, que comanda a pequena Quartet Editora.

A Casa foi criada há cerca de 15 anos para atender a uma demanda por livros na área de gestão empresarial. Algum tempo depois, mudou o foco para o segmento acadêmico/universitário, nas áreas de Educação e Comunicação.

Por acreditar que sonhar-não-custa-nada, meu bom amigo Alvanísio sonha com um Estado que regulamente as relações entre as editoras, concorrentes necessariamente desiguais, como em qualquer negócio capitalista. Por isso, ele valoriza as compras maciças de livros escolares promovidas pelo Governo e qualquer eventual ação que contrabalance a tendência à concentração do setor (como a implantação do preço fixo, por exemplo).

Alvanísio Damasceno vem inaugurar a série de entrevistas que este blogue sonha (não "custa nada", afinal) publicar com os pequenos grandes editores brasileiros.

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Como anda o mercado de livros acadêmicos?


Não é de hoje que o mercado de livros acadêmicos vive espremido entre as cópias xerox feitas pelos alunos e a falta de verba das universidades para renovar o acervo de suas bibliotecas. As tiragens são cada vez menores e os preços de capa, maiores. Há algumas brechas, como o apoio a publicações feito por instituições do tipo Faperj ou Fapesp e algumas compras governamentais (como as feitas pelo Ministério do Meio Ambiente para formar suas bibliotecas Sala Verde, por exemplo), mas é pouco para garantir a manutenção ou ampliação desse mercado. Há autores que propõem financiar a publicação de suas teses/dissertações, mas as possibilidades de se publicar uma obra importante nesses casos diminuem muito. A oferta de documentos científicos em meios eletrônicos (bibliotecas virtuais) e a possibilidade de publicação no sistema on demand (com tiragens de 10 /20 exemplares) resolvem o problema de pesquisadores interessados em um tema muito específico e o de autores que publicam só por vaidade...


Já não há livros demais no mundo?

Tenho esta sensação, de que há livros demais no mundo – a começar pela minha própria biblioteca, que cresce muito mais do que minha capacidade de leitura. Se eu considerar que há uma quantidade enorme de livros que não me interessam, esta sensação aumenta ainda mais Mas torço para que os editores que publicaram estes livros desinteressantes para mim tenham feito a aposta certa e que haja leitores para eles. Afinal, desde que um livro tenha leitores, já merece ser publicado – e não digo isso pensando apenas no retorno comercial da publicação.

O que falta(ria) ainda editar?


Todo ano, centenas de teses e dissertações são aprovadas com louvor e recomendação para publicação. É bem verdade que boa parte delas obteve esse status graças ao interesse das bancas em ver publicadas pesquisas que tragam visibilidade e verbas para seus programas de pós-graduação... Mesmo assim, muitos desses seriam aprovados pelos conselhos editoriais das editoras, por sua importância como documento científico – só que, por falta de capital para investimento ou falta de confiança no retorno comercial, acabam não sendo publicados.

Mas há um livro, que já foi publicado, que eu acho que ainda falta reeditar: Moronguêtá, uma espécie de Decameron indígena, do veterinário (por formação) e etnólogo autodidata Nunes Pereira. O livro reúne mitos e lendas de índios da Amazônia, terra do amor livre e sem culpa. Só por essa coleta, Nunes Pereira já poderia ser considerado nosso Boccaccio – mas ele vai além: descreve o cenário em que vivem (fauna, flora, arquitetura), hábitos, culinária, vestuário e crenças dos índios que criaram os contos eróticos incluídos no livro e mostra que os tristes trópicos não eram tão tristes assim.


Livro com preço fixo: quem ganha com isso?


Eu nunca fiz um estudo científico a respeito, mas não me sai da mente a crença de que há uma porção de leitores que não encontram seus livros nas grandes livrarias e uma porção de livros que não encontram seus leitores porque as livrarias que poderiam abrigá-los estão fechando. Isso é fruto da acentuada concentração do mercado de livros em conglomerados editoriais e grandes redes de livrarias.

Quem defende a implantação do preço fixo do livro acredita que essa medida aumentaria a bibliodiversidade – quer dizer, criaria as condições para que as pequenas editoras pudessem publicar mais e melhores títulos, porque teriam como escoar sua produção por meio das livrarias independentes, que deixariam de sofrer a concorrência das grandes redes de livrarias e dos sites de compras. Se não melhorar a vida dos pequenos, pode acabar com alguns inegáveis abusos, como o das Lojas Americanas, do supermercado Extra e outros pontos de venda alternativos, que oferecem livros da Ediouro a R$ 9,90 - enquanto estes mesmos livros só são vendidos a pequenos livreiros pelo preço de capa normal, muitas vezes superior a R$ 50,00. (Já tem pequenos livreiros comprando a R$ 9,90 no Extra pra vender a R$ 18,00 em suas lojas...)
Não há nenhuma garantia de que o preço único do livro mudaria esse cenário – mas há uma esperança, e talvez valesse a pena testá-la.