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Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 30, 2008 às

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E por falar, ainda, em efemérides:


Hoje (30 de janeiro) é Dia da Saudade. O titular deste blogue pede licença para ir chorar as suas (e são tantas!), inconsolável.



Arquivado em: ler para crer — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 27, 2008 às

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Que Casa do Saber, que nada!

Para quem mora em São Paulo ou tem condições de ir até lá, a pedida cultural (no sentido pleno, não no de mero “entretenimento”) é investir na Programação 2008 do Departamento de Humanidades do IICS – o Instituto Internacional de Ciências Sociais, na capital paulista.

A missão pedagógica do Instituto é formar pessoas capazes de dialogar com os grandes mestres de todas as épocas e de todas as culturas, em uma abertura intelectual baseada no sólido conhecimento da realidade e dos valores individuais.

Sob a coordenação de Martim Vasques da Cunha, a proposta do departamento – inspirada no Platão de A República – é discutir, não temas comuns, “mas o modo de levar uma vida justa".

Alguma coisa está começando a mudar no Brasil -- e você pode participar desta mudança, além de ficar navegando na Internet.

Vale a pena conferir – aqui – a programação completa de cursos, palestras e seminários para 2008.



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 23, 2008 às

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É... acho que agora é o fim mesmo!

Maiores detalhes aqui, na nova trincheira política de Paulo Serran.



Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 22, 2008 às

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"A beleza é o melhor substituto da inteligência."

Noel Clarasó, escritor espanhol.



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em às

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“Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.”

Fernando Pessoa, o gênio luso.
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Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 20, 2008 às

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E por falar em efemérides:

Há exatos 25 anos (em 20 de janeiro de 1983) morria no Rio de Janeiro o desafortunado Mané Garrincha, o jogador meia-bomba e fracassado que -- no País dos Ressentidos -- muita gente insiste em comparar ou contrapor ao genial e vitorioso Pelé.

Mesmo sem ter praticamente nenhum interesse por esportes (acho tediosa e inútil qualquer conversa sobre futebol), é impossível não perceber a enorme força simbólica do bate-bola para os nossos intelequituais, famosos por sua incapacidade (e sua preguiça) em matéria de filosofia ou alta-cultura.

Gente assim, incomodada com o sucesso dos outros, prefere glorificar os perdedores, tentando desesperadamente nos convencer de que -- no País dos Coitadinhos -- o infeliz anjo-das-pernas-tortas era "melhor" do que o atleta de Três Corações simplesmente porque, na verdade, era... pior, entendem?

Pelos frutos, conhecereis a árvore: quando apontam o dedo para as estrelas, nossos intelequituais enxergam apenas a pequenez da ponta do próprio dedo -- e isso, no Brasil, constitui toda uma... "filosofia".

Cartão vermelho para eles! (Quem vai ser o primeiro?)



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 19, 2008 às

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Picasso veio à luz em 25 de outubro de 1881, às 11:15 em Málaga. Natimorto. Não respirava nem chorava. A parteira abandonou-o e começou a tratar da mãe. Se não fosse pela presença do tio, Salvador Ruiz, o menino não teria vingado: Salvador se debruçou sobre o corpo inerte e exalou nas ventas do menino a fumaça do seu fétido charuto. Picasso estremeceu. Picasso berrou. Um gênio chegou à vida. Sua respiração foi um sopro de fumaça, irritando sua garganta, queimando-a até os pulmões, com o estímulo poderoso da nicotina.”

Norman Mailer em Portrait of Picasso as a Young Man (1995), tradução livre.
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Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Nas mulheres, o desejo de agradar nasce muito antes da necessidade de amar."

Ninon Lenclos (1615-1705), escritora francesa.



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De que zona sombria da alma humana nasce este prazer perverso com que nossos intelequituais e nossa imprensa alardeiam (e celebram) a iminente crise econômica americana?



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 17, 2008 às

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Das grandes decepções experimentadas em 2007, nunca será tarde demais destacar:

* O romance Na praia, de Ian McEwan -- tão aquém do talento de alguém que já conheceu de perto a grandeza em Reparação...

* O blog do jornalista Bruno Garschagen, que começou prometendo tanto e hoje caiu na burocracia protocolar da maioria dos membros da blogosfera. Que pena! Mesmo assim... Valeu, Bruno, fica pra próxima!



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Existe um caminho que vai dos olhos ao coração sem passar pelo intelecto."

G. K. Chesterton, grande intelecto, imenso coração.



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em às

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Talvez o mundo não valha a pena (soletraria o poeta), mas é sempre um consolo desfrutar da sensação inconfundível que é saber que -- qualquer que seja a rodoviária de seja qual for a cidade aonde a literatura e o trabalho nos levarem -- sempre haverá ali um táxi à nossa espera.

Talvez nem valesse a pena comentar nada disso... Isto é, se o mundo fosse, no fim das contas, um lugar povoado por mais sensatez e menos relativismos morais. Mas, como o mundo talvez não valha tanto, então é o caso de contar o acontecido (e foi há bem pouco tempo).

Cheguei à rodoviária de C.... às dez e meia da noite -- e lá estava o táxi providencial do primeiro parágrafo. Ao volante, aguardava-me um jovem senhor solícito, empenhando-se na satisfação de conduzir seu passageiro-forasteiro ao melhor hotel da cidade (fator de orgulho e de progresso da região), onde eu me hospedaria.

Mas o momento mágico da noite ainda estava por vir (e veio!) na hora em que ele estacionou seu carro, solícito e britânico, no pátio interno do Hotel -- e, adiantando-se em apanhar minha mala e abrir a porta para mim, explicou-me sereno, apontando o taxímetro:

"O senhor me deve dois reais a menos do que o que está marcado. Empolgado pela conversa, acabei me distraindo e tomando um caminho mais longo. Não é justo que o senhor pague pelo meu erro. Aliás, por favor, me desculpe."

Um tanto perplexo pela cena inesperada, fiz ver ao jovem senhor que não havia problema: o papo tinha sido agradável também para mim -- e que, aliás, novato por ali, eu nem tinha percebido.

"Mas eu percebi, senhor, e já é o bastante. Sou um homem de Deus, e não posso me omitir diante disso. Aceite o seu troco, e as minhas desculpas."

Talvez valha a pena ressaltar (pelo bem do mundo) que o mais valioso e fantástico, em toda aquela cena, era a maneira tranqüila com que o jovem senhor falava, sem nenhuma pieguice ou retórica -- como alguém que dissesse apenas "Onze e meia" caso lhe tivessem perguntado as horas.

Talvez o mundo não valha o mundo (insistiria o poeta), mas é sempre um consolo poder saborear a certeza de que, num canto pacato do Brasil (pelas ruas de C....), circula um homem capaz de distinguir e defender as coisas que valem mais do que dois reais -- e que faz isso sem a arrogância dos castos, mas com a simplicidade de uma tranqüila rotina.



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 15, 2008 às

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"Desconfie dos que não fumam: esses não têm vida interior, não têm sentimentos. O cigarro é uma maneira disfarçada de suspirar."


Mário Quintana, poeta e fumante gaúcho.



Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em às

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Quando a perenidade do livro era ainda um fator pouco questionado, o brujo argentino Jorge Luis Borges imaginou um livro com um número infinito de páginas, numeradas arbitrariamente; nenhuma delas poderia ser chamada de primeira ou de última, pois muitas páginas sempre se interporiam entre o miolo e a capa, brotando sem cessar.

(O próprio conteúdo, escrito em caracteres estranhos, também não seria muito confiável: afinal, ninguém seria capaz de localizar outra vez uma mesma frase ou figura...)

* * *

A este objeto extravagante, Borges chamou de “Livro de areia”, tema e título de um conto de 1975.

Para o escritor argentino, gestor de duas bibliotecas (a apócrifa Biblioteca de Babel, outra de suas "aberrações", e a real Biblioteca Nacional, de Buenos Aires), nada parecia representar melhor o horror da indefinição e instabilidade do mundo do que esse antilivro absurdo – que vem negar tudo aquilo que o livro vem simbolizando ao longo dos séculos: tradição, solidez, confiabilidade.

* * *

A metáfora da areia pareceu sob medida a Borges, por unir os aspectos mais visíveis da vida contemporânea, que é ao mesmo tempo fluida, pulverizada e inumerável, como um conjunto infinito de grãos.

* * *

Hoje as enquetes e mesas-redondas perguntam: até quando haverá livros? Mas a verdade é que (em matéria de tradição, solidez e confiabilidade) a pergunta deveria ser: até quando haverá leitores?



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"A vaidade, para ser legítima, tem que ser consciente."

William Shakespeare, em tradução livre.



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De acordo com o calendário universal das efemérides, hoje (15 de janeiro) é -- pasmem -- o Dia do Adulto!

Diante da puerilidade crescente do mundo, que transforma tudo num reality show sem fim, seria o caso de perguntar se haverá muitos interessados em comemorar a data...

(Até porque adultos que se prezem devem achar uma efeméride dessas extremamente... pueril!)
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Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 14, 2008 às

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Um ex-vizinho niteroiense, desses que vivem nas sombras, acusa-me de ser "inconclusivo" em meu post recente sobre a esquizofrenia arrogante da filosofia moderna. Incapaz de acompanhar o que ele chama de minhas "abstrações", pede-me um exemplo concreto...

Dou-lhe um bem simples, mas bastante demonstrativo de como o assassinato da lógica promovido pela estrambótica teoria da causalidade de David Hume desobrigou a maioria das pessoas de... pensar!

* * *

O caso aconteceu recentemente comigo, durante mesa-redonda sobre Tradução Literária, na Casa de Espanha, no segundo sábado de dezembro (tantos detalhes concretos são para agradar meu ex-vizinho, fraco nas abstrações...).

A certa altura do debate, enquanto eu comentava a baixa qualidade de boa parte das traduções do espanhol que circulam no país, uma jovem me interrompeu para alertar:

"Também pudera! Do jeito como são mal pagas!"

* * *

Tentei mostrar à moça (parecia bem-intencionada) que nenhuma tradução é necessariamente ruim por ser mal paga -- mas por ser, justamente, mal feita! Em outras palavras, não havia uma relação de necessidade (i.e., de causalidade) entre o preço e a qualidade da tradução.

(E fiz questão de exemplificar: mesmo mal pago, um profissional consciente, maduro, generoso, costuma optar por realizar um bom trabalho.)

Impacientou-se comigo, acusando-me de ser insensível às "condições adversas de exercício da profissão".

* * *

Porca miséria! Precisaria dizer mais alguma coisa? Na verdade, o tipo de raciocínio da jovem aluna de tradução do espanhol vem se tornando o modelo (cada vez mais) recorrente do raciocínio no Brasil...

Hélas!

E depois nossos intelequituais ainda têm a cara-de-pau de investigar as "origens" de nossa miséria (material, mental, moral).

* * *

Bastaria lembrar, com o grande mestre conservador Richard Weaver: idéias têm conseqüências!



Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 13, 2008 às

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"O cigarro é o substituto voluntário do pensamento."

Arthur Schopenhauer, o filósofo temperamental e fumante.



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"O passado só existe quando estamos infelizes."

Louise Levêque de Vilmorin (1902-1969), escritora francesa.
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Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 12, 2008 às

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"A mulher é a rainha do mundo -- e a escrava de um desejo."


Honoré de Balzac, escritor e mulherengo.



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"Por que as mulheres vivem bradando que querem ser 'compreendidas', quando elas querem simplesmente ser amadas?"


Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 10, 2008 às

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Que "vítimas do capitalismo selvagem" ou "excluídos" -- qual nada! Tudo que nossos intelequituais já não conseguem enxergar na "vulgaridade" do mundo real "inescrutável" está sintetizado nesta piada genial: imperdível!

Deleitem-se, sem preconceitos!



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em às

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É impressionante a húbris (não há outra palavra) com que a filosofia moderna em geral e nossos intelequituais em particular se empenham em negar a existência soberana e independente da realidade – também conhecida como “vida real”, “mundo dos adultos”, etc.

Em seu desprezo pelos enunciados claros e pelo fraseado límpido, costumam se amparar nas idéias (sic) de um Derrida, um Baudrillard, um Deleuze -- que é, no fim das contas, onde a vista de cada um deles alcança.


* * *

A encrenca, no entanto, vem de muito mais longe – e, infelizmente, parece abranger praticamente todo o edifício da filosofia moderna.

Enraíza-se, por exemplo, em espíritos maliciosos (ou simplesmente confusos?) como René Descartes, cuja bravata maior foi colocar em dúvida a experiência direta dos cinco sentidos – ponto de honra para a filosofia clássica, em especial a do grande Estagirita, na aurora de nossa civilização.

E o que dizer do escocês David Hume (considerado um dos mais brilhantes representantes do empirismo britânico e do Iluminismo!), que questionou a idéia essencial de causalidade, afirmando que toda seqüência causal (outro ponto nodal da lógica aristotélica) acontece apenas na mente do sujeito pensante?!

* * *

E depois vieram Kant, Hegel e tutti quanti, a garantir que, no fim das contas, o mundo real é inacessível até mesmo para nossos esforçados intelequituais – quanto mais para os mortais comuns...

(E não me digam que estou simplificando demais as coisas: esta estrovenga é que já é simplista em si mesma!)

* * *

Não foi à toa que, meses atrás, durante uma Oficina literária que ministrei fora do Rio, ao mencionar o papel essencial da Poética de Aristóteles na arquitetura do romance, ouvi como resposta de uma jovem impetuosa, dedo erguido na minha direção:

“Com licença, professor! Que eu saiba, Aristóteles já foi superado há muito tempo...”

Como dizia o sábio Richard Weaver, idéias têm conseqüências.



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 08, 2008 às

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No site Ordem Livre (organização não-governamental em defesa de princípios essenciais como liberdade individual, mercado livre e governo limitado), está no ar meu artigo sobre os mecanismos viciosos da Lei Rouanet -- onde todos os "jogadores" sempre saem ganhando.

Vão lá conferir. Mas voltem sempre, ok?

(Ob.: A foto é dedicada aos que suspiraram pelo post anterior...)



Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em às

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"A maioria das mulheres sedutoras se entrega a Deus quando o Diabo já não quer nada com elas."

Sophie Arnould, atriz e cantora francesa.



Arquivado em: dois dedos de crônica — postado por Antonio Fernando Borges em às

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Tenho grandes amigos entre os pequenos editores brasileiros -- e a estes bravos companheiros devo, sobretudo, algumas das histórias que vêm livrando este blog da falta de assunto.

Se insisto em publicar o episódio, sob o risco de tamanho cataclisma afetivo (perder um amigo!), não há de ser pelo prazer da controvérsia ou da discórdia. É apenas para tornar pública a trágica situação de muitos escritores.

Todas as histórias infelizes se parecem. Esta é mais uma delas -- e acho que quem a provocou já não se sentirá tão "meu amigo" depois deste post.

Hélas! Ossos do ofício...

Aconteceu anteontem, pela manhã – e de forma semelhante às outras histórias com editores amigos: o telefone tocou e (depois dos salamaleques e elogios de praxe) o jovem e (até então) querido editor fez a proposta indecorosa: queria que eu lesse três (nada menos do que três!) originais de romances inéditos que ele pretende publicar este ano.

E, antes que eu ensaiasse qualquer reação:

“Mas, por favor, Borges, nem pense em dinheiro, como se fosse um trabalho...”

Tentei explicar ao moço que aquilo era um trabalho, e dos mais árduos. Mas ele não me deixou completar e atirou novamente:

“São jovens autores, Borges. Precisam de uma força, e você não pode negar. É quase um dever cívico.”

Deu então a pior de suas risadas, deixando claro que nem ele acreditava naquela demagogia cívica. Em seguida, alegando estar muito ocupado para “ficar perdendo tempo com detalhes”, despediu-se:

“Agora é tarde para reclamar, Borges: dei seu telefone para os garotos. A parceria já começou. Tchau!”

Claro que passei as duas últimas noites praticamente em claro, pensando na tragédia iminente que espreitava meu ano, desde os primeiros dias...

Três (nada menos do que três!) aspirantes a escritores tinham meu telefone (E o endereço? Teriam também) e deviam estar no meu encalço. Como vampiros sedentos! Zumbis justiceiros!

Atrasadíssimo nos clássicos, vejo a pilha de livros que esperam por mim, amontoados na mesa de canto da sala. Folheio alguns deles, sem conseguir me concentrar.

Cada vez que o telefone toca, é um sobressalto. Temo pelo pior.



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 04, 2008 às

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"Reduzidos a cidadãos de segunda classe pelos antitabagistas, os fumantes têm pelo menos um consolo: os filhos dos antitabagistas serão grandes fumantes."

Anônimo, século 20.



Arquivado em: 3 x 4 — postado por Antonio Fernando Borges em às

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Dizem (o que não é improvável) que Franz Kafka tinha uma escrivaninha que parecia extraída de seus textos sombrios.

Na altura dos joelhos de quem se instalasse nela, havia duas pontas de madeira bem afiadas.

Não eram instrumentos de tortura, mas recursos pedagógicos.

Serviam ao escritor como uma advertência permanente: cuidado para não escrever nada que o deixe excitado, nem permita que seu corpo vibre demais, enquanto escreve.

Dizem também (o que não é igualmente improvável) que o infeliz escritor tcheco trazia os joelhos sempre doloridos e roxos.



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"Mas o que está acontecendo? As mulheres agem como homens e querem ser tratadas como mulheres?!"

Alan Jay Lerner (1918-1987), compositor americano.
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Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 03, 2008 às

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E agora, José?

A festa acabou, o bonde passou -- e o milagre não veio, mais uma vez. Veio apenas outro longo ano pela frente, com seus desafios, sonhos e humilhações. E todos nós, inevitavelmente, mais velhos.

Agora é trabalhar.

(Re)começar.

Etc.

Contrariando os hábitos locais, com suas preferências por balanços e despedidas, aproveito este espírito de (re)início para enviar meu abraço a todos os que vêm me acompanhando desde a estréia, e também aqueles que vierem a me acompanhar a partir de agora.

Um abraço bem especial a Astrids e artistas, a Lílians e líricos, aos Brunos e Bruninis, aos Enriques e Henriques, às Stellas e Stelas, todas cintilantes; às Carlas e Cristinas; e também para as Elisas e as Beths, Leonardos e Leopoldos, Pedros e Paulos, e para os Antonios e Fernandos como eu -- enfim, a todos os chamados "bons amigos", aos bosques que se chamam Solidão, aos bondes que sempre se chamaram Desejo e às mulheres e tangos chamados Conchita.

Feliz ano todo!