“A queda d’um anjo”

E por falar em efemérides:
Há exatos 25 anos (em 20 de janeiro de 1983) morria no Rio de Janeiro o desafortunado Mané Garrincha, o jogador meia-bomba e fracassado que -- no País dos Ressentidos -- muita gente insiste em comparar ou contrapor ao genial e vitorioso Pelé.
Mesmo sem ter praticamente nenhum interesse por esportes (acho tediosa e inútil qualquer conversa sobre futebol), é impossível não perceber a enorme força simbólica do bate-bola para os nossos intelequituais, famosos por sua incapacidade (e sua preguiça) em matéria de filosofia ou alta-cultura.
Gente assim, incomodada com o sucesso dos outros, prefere glorificar os perdedores, tentando desesperadamente nos convencer de que -- no País dos Coitadinhos -- o infeliz anjo-das-pernas-tortas era "melhor" do que o atleta de Três Corações simplesmente porque, na verdade, era... pior, entendem?
Pelos frutos, conhecereis a árvore: quando apontam o dedo para as estrelas, nossos intelequituais enxergam apenas a pequenez da ponta do próprio dedo -- e isso, no Brasil, constitui toda uma... "filosofia".
Cartão vermelho para eles! (Quem vai ser o primeiro?)




Comentários
Sobre isso certa vez ouvi dizer: Um é rei, o outro, um Mané!
Enviado por: William | janeiro 21, 2008 07:28 AM
Concordo que parte da aura a envolver Garrincha está vinculada à simbologia do oprimido. A (suposta) ingenuidade, a completa falta de porte atlético, a derrocada atribuída ao álcool e à mulher, tudo, enfim, contribuiu para a construção do mito, principalmente sendo Pelé o exato oposto disso. Não, ele não era melhor do que o Rei, mas daí a chamá-lo de fracassado como jogador é certamente uma exagero. Ambos levaram o futebol ao seu apogeu. Agora, se os 'intelequitais'usam sua imagem para disseminar suas asneiras, isso é problema deles e de quem lhes dá palanque.
Enviado por: Gustavo Barreto | janeiro 23, 2008 12:39 PM
Antonio, isso é coisa rara de se ver no Brasil: alguém que avalie, por exemplo, um jogador de futebol enquanto jogador de futebol, ou um vendedor de salgados enquanto um vendedor de salgados etc. Quem comentou aqui, logo antes de mim, não fez essa distinção: o fracassado é o alcoólatra; o que importa, neste caso, é o jogador. Um Abraço.
Enviado por: Ronald | janeiro 23, 2008 02:20 PM
Desculpe-me, Ronald, se não me fiz entender. Tentei dizer tão-somente que Garrinha foi também um jogador genial e vitorioso, ainda que a léguas e léguas de Pelé. O mito de vítima de sei lá o quê é, para mim, irrelevante na análise do 'jogador enquanto jogador'. Apenas não o vejo como jogador medíocre só porque sua tragédia pessoal é usada como arma contra a excelência. Forte abraço.
Enviado por: Gustavo Barreto | janeiro 23, 2008 05:48 PM
Antonio, meu caro, eu gosto de futebol (pecado que não sei se deveria confessar, mas, enfim, já foi) e voto com o Gustavo nesse caso. Entendo o ponto do seu post. Mas subscrevo a frase "não vejo [Garrincha] como jogador medíocre só porque sua tragédia pessoal é usada como arma contra a excelência".
Um abraço!
Enviado por: Ruy | janeiro 23, 2008 11:39 PM
Ruy, sabia que você tinha algum defeito! :-)
Enviado por: Roger Prado | janeiro 30, 2008 04:59 PM