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Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 17, 2008 às

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Talvez o mundo não valha a pena (soletraria o poeta), mas é sempre um consolo desfrutar da sensação inconfundível que é saber que -- qualquer que seja a rodoviária de seja qual for a cidade aonde a literatura e o trabalho nos levarem -- sempre haverá ali um táxi à nossa espera.

Talvez nem valesse a pena comentar nada disso... Isto é, se o mundo fosse, no fim das contas, um lugar povoado por mais sensatez e menos relativismos morais. Mas, como o mundo talvez não valha tanto, então é o caso de contar o acontecido (e foi há bem pouco tempo).

Cheguei à rodoviária de C.... às dez e meia da noite -- e lá estava o táxi providencial do primeiro parágrafo. Ao volante, aguardava-me um jovem senhor solícito, empenhando-se na satisfação de conduzir seu passageiro-forasteiro ao melhor hotel da cidade (fator de orgulho e de progresso da região), onde eu me hospedaria.

Mas o momento mágico da noite ainda estava por vir (e veio!) na hora em que ele estacionou seu carro, solícito e britânico, no pátio interno do Hotel -- e, adiantando-se em apanhar minha mala e abrir a porta para mim, explicou-me sereno, apontando o taxímetro:

"O senhor me deve dois reais a menos do que o que está marcado. Empolgado pela conversa, acabei me distraindo e tomando um caminho mais longo. Não é justo que o senhor pague pelo meu erro. Aliás, por favor, me desculpe."

Um tanto perplexo pela cena inesperada, fiz ver ao jovem senhor que não havia problema: o papo tinha sido agradável também para mim -- e que, aliás, novato por ali, eu nem tinha percebido.

"Mas eu percebi, senhor, e já é o bastante. Sou um homem de Deus, e não posso me omitir diante disso. Aceite o seu troco, e as minhas desculpas."

Talvez valha a pena ressaltar (pelo bem do mundo) que o mais valioso e fantástico, em toda aquela cena, era a maneira tranqüila com que o jovem senhor falava, sem nenhuma pieguice ou retórica -- como alguém que dissesse apenas "Onze e meia" caso lhe tivessem perguntado as horas.

Talvez o mundo não valha o mundo (insistiria o poeta), mas é sempre um consolo poder saborear a certeza de que, num canto pacato do Brasil (pelas ruas de C....), circula um homem capaz de distinguir e defender as coisas que valem mais do que dois reais -- e que faz isso sem a arrogância dos castos, mas com a simplicidade de uma tranqüila rotina.


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Comentários

Nossa cara isto incentiva o cara a viver!!!A lutar pelo BEM sinceramente.Aconteceu algo parecido comigo , eu estava irritado por um familiar meu não conseguir atendimento imediato no hospital por causa de seu plano que estava com atraso...entã o a partir do momento que expressamos que querimos pagar a vista os custos o atendimento foi o melhor possivel ....Aquilo havia me deixado muito chateado afinal ...poderia ter morrido meu ente querido ...eu pensando nisto meu pneu furou e com minha extrema habilidade não estava consequindo trocar pedi a ajuda de um jovem senhor ...que estava num bar perto que o trocou em 2 minutos ...depois ofereci dinheiro o tão famoso "café" ele não aceito disse que não tinha sido nada de mas que tinha feito fui ao seu bar uma mulher entrou e pediu algo acho que era cigarro ele disse que não tinha pois estava sem dinheiro ,ae novamente insisti em dar dinheiro pra ele.Ele novamente recusou dizendo que eu o fizesse para quem realmente precisa-se .
Um ato simples , mas que me deu muita força interior. E pensar que realmente nem que seja so por este Homem que fez isto vale a pena!Lutar pela bondade,justiça!

Eu espero encontrar em R. um taxistas desses. :-)

Ah, agora tá explicado o porquê de todas as vezes que visitei C... eu sempre ter pago mais do que eu achava que deveria aos taxistas: é que meu papo é mesmo muito ruim!!!! :-D

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