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Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em janeiro 15, 2008 às

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Quando a perenidade do livro era ainda um fator pouco questionado, o brujo argentino Jorge Luis Borges imaginou um livro com um número infinito de páginas, numeradas arbitrariamente; nenhuma delas poderia ser chamada de primeira ou de última, pois muitas páginas sempre se interporiam entre o miolo e a capa, brotando sem cessar.

(O próprio conteúdo, escrito em caracteres estranhos, também não seria muito confiável: afinal, ninguém seria capaz de localizar outra vez uma mesma frase ou figura...)

* * *

A este objeto extravagante, Borges chamou de “Livro de areia”, tema e título de um conto de 1975.

Para o escritor argentino, gestor de duas bibliotecas (a apócrifa Biblioteca de Babel, outra de suas "aberrações", e a real Biblioteca Nacional, de Buenos Aires), nada parecia representar melhor o horror da indefinição e instabilidade do mundo do que esse antilivro absurdo – que vem negar tudo aquilo que o livro vem simbolizando ao longo dos séculos: tradição, solidez, confiabilidade.

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A metáfora da areia pareceu sob medida a Borges, por unir os aspectos mais visíveis da vida contemporânea, que é ao mesmo tempo fluida, pulverizada e inumerável, como um conjunto infinito de grãos.

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Hoje as enquetes e mesas-redondas perguntam: até quando haverá livros? Mas a verdade é que (em matéria de tradição, solidez e confiabilidade) a pergunta deveria ser: até quando haverá leitores?


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Comentários

Eu proponho sermos otimistas e visualizarmos o tempo de vida dos leitores associado à hesitação do cabra lá em se livrar do livro doido. Comigo funciona direitinho. :-P.

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