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Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em maio 29, 2008 às

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Em toda esta discussão em torno da liberação de pesquisas com células-tronco (quase toda ela apoiada em tolices e sofismas primários), o que mais me espanta é a idéia (positivista) de que a razão (científica) ajuda a combater o "obscurantismo" das religiões.

Sem ânimo, tempo nem bagagem para mergulhar a fundo no debate (o que, aliás, também não vem sendo feito nem pela imprensa nem pelos dotôres do Supremo), limito-me a transcrever as palavras geniais do médico psiquiatra judeu austríaco Viktor Frankl, a respeito da (ir)responsabilidade dos cientistas:

"Não foram apenas alguns ministérios de Berlim que inventaram as câmaras de gás de Maidaneck, Auschwitz, Treblinka: elas foram preparadas nos escritórios e salas de aula de filósofos e cientistas niilistas -- entre os quais se contavam e se contam alguns pensadores anglo-saxões laureados com o Prêmio Nobel. É que, se a vida humana não passa do insignificante produto acidental de umas moléculas de proteína, pouco importa que um psicopata seja eliminado como inútil e que ao psicopata se acrescentem uns quantos povos inferiores: tudo isso não é senão raciocínio lógico e conseqüente."

Frankl era judeu, como Marx, Freud e outros tantos intelequituais que contribuíram para a construção deste pesadelo. Mas, ao contrário de seus patrícios, ele se manteve fiel justamente à tradição religiosa judaica, uma das fontes preciosas (e nada obscurantista) de sua busca do sentido da vida.



Arquivado em: pequenos milagres — postado por Antonio Fernando Borges em maio 28, 2008 às
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Nem o conservadorismo nem o excesso de peso são suficientes para que eu me considere um Chesterton. Ninguém é perfeito... Mas vai que ajudam?



Arquivado em: oops! , provocações , um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às
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As inteligências vulgares não percebem, mas G. K. Chesterton foi (é) um pensador ousado, em nada parecido com os desfibrados philosophes atuais.

Zeloso como todo bom combatente, Chesterton enfrentava sem medo (e com brilho) os leões de seu tempo, intelequituais de altíssima reputação -- Bernard Shaw, H.G.Wells, Sigmund Freud, Karl Marx et caterva -- mas que eu mal considero dignos de links num blogue.

Relendo-o (como já expliquei aqui) para participar de um ciclo de palestras na Livraria Cultura, em São Paulo, encontrei mais esta pérola, que divido com vocês:

"Que os homens e os animais são iguais é, em certo sentido, um truísmo. Mas que, sendo tão iguais, sejam tão disparatamente diferentes – eis o choque e o enigma. O fato de um macaco ter mãos é muito menos interessante para o filósofo do que o fato de que, tendo mãos, não faça quase nada com elas."


Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em maio 25, 2008 às
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O fato de que o antropólogo Guillermo León Sáenzá, a.k.a. Alfonso Cano, irá assumir o comando das famigeradas Farcs, com a morte do no.1 Tirofijo, mostra bem a função e o caráter das ciências "humanas" no mundo contemporâneo: destruir a ordem civilizacional acumulada ao longo de milênios pelo Ocidente.

Tudo isso, é claro, em nome de um "outro mundo possível".

Fiéis ao comando do barbudo alemão que cheirava a charuto, esses intelequituais não querem compreender o mundo: querem transformá-lo.

Deus que nos proteja!

Em tempo: a morte de todo homem me diminui (OK, não me esqueci!): afinal, sou parte do gênero humano. Mas, se a caçada e liqüidação de guerrilheiros-traficantes-seqüestradores tiver que ser o preço a ser pago para a restauração da paz e da justiça na Colômbia e na América, que assim seja! Amém.



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em maio 23, 2008 às
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"Só quando estamos completamente desesperados é que a esperança se revela a verdadeira força."


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"Somos nós que fazemos nossos amigos e nossos inimigos, mas é Deus quem escolhe nosso vizinho do lado."


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"A intolerância pode ser mais ou menos definida como a indignação dos que não têm opinião formada."


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"O abismo entre o homem e as outras criaturas pode ter uma explicação natural – mas é um abismo."

Alguns closes, chestertonianos e femininos (atendendo a irrecusáveis pedidos): para o seu deleite...



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em maio 22, 2008 às
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O acaso (cujas preferências ecológicas desconheço) pôs diante de mim, ontem à noite, este trecho magnífico de G. K. Chesterton, cujos livros ando revisitando, para participar de um ciclo de palestras em São Paulo.

Teve, para mim, o efeito balsâmico de um antídoto contra a recente enxurrada de declarações estapafúrdias, a propósito da posse do ministro colecionador de coletes e tolices.

Deliciem-se com o "gordo-alegre":

“Só o sobrenatural pode assumir uma visão sadia da Natureza. A essência de todo panteísmo, evolucionismo e religião cósmica moderna está realmente nesta proposição: que a Natureza é nossa mãe. Infelizmente, se você considerar a Natureza como mãe, vai descobrir que ela é madrasta. O ponto principal do Cristianismo era este: que a Natureza não é a nossa mãe – a Natureza é nossa irmã. Podemos sentir orgulho de sua beleza, já que temos o mesmo pai; mas ela não tem autoridade sobre nós; devemos admirá-la, não imitá-la.”



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em maio 19, 2008 às
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Um projeto de lei que regulamenta a profissão de escritor acaba de ser rejeitado pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara, lá em Brasília.

É preciso estar de olhos sempre bem abertos contra esta estrovenga, caros amigos escritores, leitores e homens de bem em geral.

O projeto (no. 4641/98) estabelece normas para o exercício da profissão de escritor -- e já tinha sido sido aprovado pela Comissão de Educação e Cultura (!!) da Câmara. Há 15 dias, foi votado na Comissão de Trabalho, que a rejeitou, sob alegação de que não existe uma profissão específica de escritor e que a legislação brasileira já asseguraria os direitos dos escritores sobre suas obras.

O texto vai agora para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.

Todo cuidado é pouco... Lembrem-se do que aconteceu com a profissão de jornalista: exercida tradicionalmente pelas melhores cabeças nacionais, acabou ficando restrita a um punhado de idiotas com diproma universitário de Comunicação Social.

(Com as louváveis exceções de praxe, é claro.)

Coisa de político que adora regulamentações e policiamentos em geral. Autoritários vocacionais. Como os nossos queridos legisladores...



Arquivado em: pequenos milagres — postado por Antonio Fernando Borges em às
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Todas as vezes em que tento a desistência, pensando (por antecipação) que a Literatura vai acabar em breve e que o famigerado "gosto popular" vai tomar conta de tudo, como um grande esgoto universal, lembro-me das palavras de meu querido amigo Ivo Barroso, poeta e tradutor finíssimo, sinalizando que nem tudo afinal está perdido:

"Cachorro só come osso porque não dão carne pra ele!"

(Grande Ivo! Que os anjos digam: "Amém!")

((E agora que não têm mais desculpas, mãos à obra, seus preguiçosos!))



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em maio 16, 2008 às
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Graças à comemoração do centenário de morte do casmurro escritor do Cosme Velho, finalmente seus livros começam a ser traduzidos... para o português.

Para conferir, é só clicar aqui.



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em maio 14, 2008 às
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A vitória da democracia tem sido comemorada, mundo afora, toda vez que um mandatário fardado é deposto ou afastado. Regimes civis, conduzidos por governantes eleitos, seriam hoje maioria no mundo -- um indício (dizem os intelequituais) de que a Idade Contemporânea pode ser definida pelo aumento crescente das liberdades políticas, coletivas e pessoais.

Sério?!

Em face dos últimos acontecimentos, seria o caso de perguntar de onde essas pessoas tiram suas teorias esdrúxulas, e o que eles entendem, afinal, como liberdade?

(Liberdade = o "direito" de obedecer de bico calado?)

O titular deste blog (que não fuma) está de luto, ao ver a liberdade individual morrer mais um pouquinho...

É proibido fumar?! Então cabe a pergunta aos defensores da "liberdade de expressão": mas maconha pode?!!



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às


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"Um moralista dizia que as mulheres são extremas: ou melhores ou piores do que os homens."

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"Loteria é mulher: pode acabar cedendo um dia."

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"Mulheres sabem: a ousadia é a primeira virtude masculina."

Uma (tripla) cortesia de Machado de Assis.



Arquivado em: pequenos milagres — postado por Antonio Fernando Borges em maio 13, 2008 às
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Só mesmo numa cidade com nome de santo (e um santo dos mais corajosos), eu haveria de ter direito a este "milagre": falar para uma turma informada, inteligente, interessada.

Pelo menos foi com essa impressão que encerrei a primeira jornada sabatina do curso A Arte do Romance, que tenho a alegria de poder ministrar no Departamento de Humanidades do IICS - Instituto Internacional de Ciências Sociais, em São Paulo.

As intervenções do pessoal (tímido ainda) não foram muitas, mas foram invariavelmente procedentes: críticas lúcidas ao mito esquerdista Saramago, o superestimado escritor; reflexões sobre a idéia de originalidade, esta superstição inconveniente e moderna; citações de autores consistentes (meus caríssimos Ortega y Gasset e Chesterton entre eles).

Poder falar o que quero (e devo) falar, para pessoas interessadas em ouvir: eis uma pequena dádiva da vida. Renovei minha ração imprescindível de esperança.

Sábado (doce rotina!) tem mais.

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Arquivado em: pequenos milagres — postado por Antonio Fernando Borges em maio 12, 2008 às
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A surdez (anunciada) não me assusta: desde cedo, preferi sempre o silêncio...



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É a velha guerra (meio santa, meio suja) de sempre:

Condenar a Igreja Católica (e a própria crença em Deus, e no Novo Testamento) por um punhado de desvios pedófilos e corrupções paroquianas é o mesmo que acusar a carne bovina pelos “estragos” decorrentes do prato-feito do boteco de esquina.

Em vão nutricionistas e religiosos se empenham em restabelecer a primordial diferença e argumentar em defesa do consumo da proteína animal e da isenção do credo católico: na Bolsa dos valores contemporâneos, naturebas, ecoterroristas e ateus em geral andam em alta.

* * *

Lembro-me de um velho amigo (sobrevivente melancólico do hippismo dos anos ’70) que costumava arrematar cada discurso seu contra algum desafeto com a proverbial sentença: “Também pudera: comendo toda aquela carne vermelha!”

Da mesma forma, os detratores costumam pintar a Idade Média (apogeu do catolicismo) como a Era do Obscurantismo e das Trevas – sem que façam o menor esforço para explicar como um “bando de fanáticos obscurantistas” conseguiu afinal produzir esses prodígios de beleza e inteligência que são o canto gregoriano, a obra de Santo Tomás de Aquino, a Divina Comédia e as catedrais góticas...

* * *

Mesmo dentro do âmbito específico das religiões, a guerra costuma ser desigual.

Quem não se lembra da reação tirânica e desproporcional dos muçulmanos por conta da publicação de algumas charges (irreverentes, como devem ser as charges) num jornal dinamarquês?

Quem não se lembra também da legião de intelequituais ocidentais que pularam ligeiros em defesa... dos islâmicos (?!!), acusando o(s) chargista(s) de blasfêmia?

* * *

E no entanto...

E no entanto, piadas, livros e exposições de artes plásticas contra o Cristianismo, o celibato religioso e a figura do papa Bento XVI se multiplicam por aí, tanto na blogosfera quanto nas rodinhas acadêmicas “esclarecidas” e “inteligentes”.

Ou seja: se você freqüenta igrejas católicas e churrascarias-rodízio, prepare-se para o duro combate, que está só começando: é tempo de ateísmos, sociologismos e cientificismos. E de muito farelo de trigo, é claro!

* * *

Argh!

* * *

(Vai um hambúrguer-com-fritas aí?)



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em maio 09, 2008 às
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"Se todo animal inspira ternura, o que houve então com os homens?
Guimarães Rosa, o mineiro desmedido.


Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em maio 08, 2008 às
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Um amigo-leitor dos mais inocentes (desses cujos "desafios" afinal me ajudam a ir tocando o barco e o blog) pergunta-me por que bato tanto na tecla de que a propaganda política sistemática dos intelequituais provocou estragos criminosos na cabecinha das gerações mais jovens -- e pede que eu lhe "explique melhor".

Explico: ao longo das últimas décadas, professores de ensino médio, pré-vestibulares e Universidades não têm feito outra coisa além de ensinar a seus incautos alunos que: a luta de classes é o motor da História; a Economia explica tudo; o homem pensa e age de acordo com sua origem social; ricos são cruéis e gananciosos; pobres são puros, ingênuos e coitadinhos; os EUA são o demônio do mundo - e por aí vai.

* * *

Quem ainda não sabe que tem sido assim?

Todo mundo, é claro -- menos (ao que parece) meu amigo-leitor tolo ou inocente. Insatisfeito (incomodado?) com minha explicação, pede-me exemplos "concretos".

Basta-me um, que aconteceu durante uma Oficina Literária recente, ministrada no interior do RJ.

* * *

Depois da ler um punhado indigesto de esboços de enredos e personagens (empresários malvados e/ou madames cruéis que exploravam pobres funcionários e empregadas domésticas, argh!), sugeri à turma que fizesse o esforço sobre-humano de deixar de lado todo o lixo sociológico sedimentado ao longo dos anos.

("Não é fácil", arrisquei. "Mas também não é impossível.")

Pedi então que tentassem construir um personagem (Deus do céu!) cuja ação não fosse motivada por "razões de classe social ou de dinheiro" -- mesmo porque a maioria dos seres humanos normais não age assim. Como incentivo, arrisquei uma sugestão:

"Pensem, por exemplo, num homem muito rico, bom, generoso, ou seja, simplesmente um homem com muito dinheiro, mas que não liga para isso."

* * *

Todos se animaram e, na aula seguinte, os "personagens" criados se multiplicaram na minha mesa.

* * *

Mas quem desanimou, definitivamente, fui eu: tudo que aqueles brainwashed tinham conseguido, com pouquíssimas variações, foi:

Depois de ter cometido muitas crueldades na vida (gerar empregos e riqueza, incrementar a economia do país, essas "maldades"), um empresário se arrepende e resolve distribuir seu dinheiro entre os pobres!!

Juro! Pobre São Francisco de Assis...

* * *

(Como dizia aquele velho anúncio de conhaque: "Que dureza!")

* * *

Todo homem tem o dever sagrado da esperança. Por isso, tenho certeza de que a experiência paulista, que começa neste sábado (dia 10), será bem diferente.



Arquivado em: amostra grátis — postado por Antonio Fernando Borges em maio 06, 2008 às
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Por mais que o ombudsman do portal esteja distraído e meu superego também não esteja a postos, é na terceira pessoa do singular que eu me sinto mais à vontade para informar que, a partir do próximo sábado, dia 10, o escritor Antonio Fernando Borges estará em São Paulo, ministrando o curso A Arte do Romance - Como os grandes escritores olham para o mundo, promovido pelo Departamento de Humanidades do Instituto Internacional de Ciências Sociais.

O curso vai ser uma introdução às técnicas de criação literária, focada no formato narrativo do romance - desafio matricial de todo verdadeiro escritor. Para iniciantes e iniciados na aventura da escrita, será uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre os processos e instrumentos essenciais da arte da escrita, a partir da análise de enredos e personagens exemplares.

Serão seis encontros, sempre aos sábados, em que serão abordados os elementos-chave da ficção romanesca: história, enredo, personagens, ritmo e foco narrativo, entre outros.

Para inscrições (ou para mais informações), clique aqui, rápido (as vagas são limitadas).

Corta! Encerrado o marketing, Antonio Fernando Borges reassume a primeira pessoa para confessar que será, para mim, uma oportunidade imperdível (na verdade, seis) de rever amigos - e, se Deus quiser, conhecer a legião paulistana deste Apostos.



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em maio 05, 2008 às
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“Maio de 68 nos impôs o relativismo moral e intelectual. Os herdeiros de maio de 68 impuseram a idéia de que tudo se equivalia, que não havia diferença alguma entre o Bem e o Mal, entre o verdadeiro e o falso, entre o belo e o feio”.

Nicolas Sarkozy, durante a campanha, prometendo aos franceses virar a triste página de maio de 68.



Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em maio 01, 2008 às
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Nunca fui muito receptivo à promessa maliciosa (feita sobretudo às crianças) de que “a leitura é uma coisa prazerosa” – variante exemplar da sentença genérica: “Só se deve fazer aquilo que nos dá prazer”.

Seguindo este mesmo critério "epicurista", não demorei a descobrir (ainda na adolescência) que há coisas bem mais prazerosas e agradáveis do que a leitura (cada um faça aqui a própria lista).

Desde então, continuei a ler, é claro, dedicando-me a leituras cada vez mais complexas e árduas. Por decisão própria, por imposição profissional, etc. – enfim, por motivos diversos (e aqui também cada um há de ter sua lista particular de razões).

* * *

Leio (ora muito, ora menos) porque gosto, mas também porque é necessário. E sempre agradeço por não ter sucumbido à armadilha infantil de “ler por prazer”.

Mas isso não quer dizer que, em algum momento, a leitura tenha chegado a ser um martírio ou castigo. Mesmo porque não existe A leitura: existem forma e mais formas de ler – e livros bastante diversos entre si, conforme o freguês.

* * *

Estas constatações (tão auto-evidentes para mim) devem passar a anos-luz do universo legislado pelo juiz Mário Azevedo Jambo, do Rio Grande do Norte.

Dias atrás, o excelentíssimo “condenou” três jovens hackers à dura missão de ler e resumir, a cada três meses, clássicos da Literatura brasileira – começando com Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.

(Fez lembrar meus velhos tempos de ginásio, quando as professoras castigavam alunos indisciplinados obrigando-os a horas corridas de leitura na Biblioteca da escola...)

* * *

Não é fácil interpretar e julgar as intenções alheias. É igualmente difícil ignorar o conselho do santo teólogo francês que dizia que de boas intenções o inferno, etc. (vocês sabem o resto).

Mas é irresistível a tentação de decifrar o que se passava na cabeça do magistrado (não li a notícia) quando proferiu a sentença – que, a julgar pelo padrão intelectual dos condenados, é sem dúvida severíssima!

Pode-se, por exemplo (arriscando no escuro), atribuir ao provinciano juiz a intenção de ser cosmopolita e, decididamente, fashion: nada mais in, afinal, do que “investir em educação” e coisas parecidas.

* * *

Quanto à idéia de incentivar a leitura como forma de melhorar o mundo, sua “serventia” me faz lembrar a conhecida resposta do Duce às provocações de Hitler: “Não é difícil governar a Itália. É inútil”.