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Arquivado em: artigo — postado por Antonio Fernando Borges em maio 01, 2008 às
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Nunca fui muito receptivo à promessa maliciosa (feita sobretudo às crianças) de que “a leitura é uma coisa prazerosa” – variante exemplar da sentença genérica: “Só se deve fazer aquilo que nos dá prazer”.

Seguindo este mesmo critério "epicurista", não demorei a descobrir (ainda na adolescência) que há coisas bem mais prazerosas e agradáveis do que a leitura (cada um faça aqui a própria lista).

Desde então, continuei a ler, é claro, dedicando-me a leituras cada vez mais complexas e árduas. Por decisão própria, por imposição profissional, etc. – enfim, por motivos diversos (e aqui também cada um há de ter sua lista particular de razões).

* * *

Leio (ora muito, ora menos) porque gosto, mas também porque é necessário. E sempre agradeço por não ter sucumbido à armadilha infantil de “ler por prazer”.

Mas isso não quer dizer que, em algum momento, a leitura tenha chegado a ser um martírio ou castigo. Mesmo porque não existe A leitura: existem forma e mais formas de ler – e livros bastante diversos entre si, conforme o freguês.

* * *

Estas constatações (tão auto-evidentes para mim) devem passar a anos-luz do universo legislado pelo juiz Mário Azevedo Jambo, do Rio Grande do Norte.

Dias atrás, o excelentíssimo “condenou” três jovens hackers à dura missão de ler e resumir, a cada três meses, clássicos da Literatura brasileira – começando com Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.

(Fez lembrar meus velhos tempos de ginásio, quando as professoras castigavam alunos indisciplinados obrigando-os a horas corridas de leitura na Biblioteca da escola...)

* * *

Não é fácil interpretar e julgar as intenções alheias. É igualmente difícil ignorar o conselho do santo teólogo francês que dizia que de boas intenções o inferno, etc. (vocês sabem o resto).

Mas é irresistível a tentação de decifrar o que se passava na cabeça do magistrado (não li a notícia) quando proferiu a sentença – que, a julgar pelo padrão intelectual dos condenados, é sem dúvida severíssima!

Pode-se, por exemplo (arriscando no escuro), atribuir ao provinciano juiz a intenção de ser cosmopolita e, decididamente, fashion: nada mais in, afinal, do que “investir em educação” e coisas parecidas.

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Quanto à idéia de incentivar a leitura como forma de melhorar o mundo, sua “serventia” me faz lembrar a conhecida resposta do Duce às provocações de Hitler: “Não é difícil governar a Itália. É inútil”.


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Comentários

É Leitura às vezes dá trabalho, e é um trabalho um tanto diferente, atenção e concentração são bens escassos, pelo menos para a minha geração, que às vezes parece, veio com DDA original de fábrica( E desde então só piorou a situação). Raskolnikov tem uma grande disputa contra o Play Station 3.

Se ler os clássicos resolvesse (ou melhorasse) alguma coisa, os oficiais nazistas todos teriam salvo os milhões de judeus das câmaras de gás. Afinal, a maioria lia grandes clássicos da literatura - Goethe incluído.

E isso não lhes serviu de nada. Os judeus foram às câmaras e eles continuaram lendo seus clássicos...

Poisé, precisariam ler vc todos aqueles que insistem em me rotular só pq leio Dan Brown, Robin Cook, Stephen King, ou qualquer outro best seller - então só é certo ler o que é pouco lido, né? Esqueça! Não foi a leitura de nenhum ...dô, ...bô, ...ér quem me fez o ser que sou - e eu, definitivamente, gosto do que eu sou. Eu leio, sim, por prazer, mas tbm leio por obrigação, tbm é meu trabalho. Eu leio, e f(piiii) quem não gosta do que eu leio :-P Enfim! rs :-| Abracin.

Saint-Clair Stockler, como eles liam?

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