'Sobre o Ofício de Escritor"

Um projeto de lei que regulamenta a profissão de escritor acaba de ser rejeitado pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara, lá em Brasília.
É preciso estar de olhos sempre bem abertos contra esta estrovenga, caros amigos escritores, leitores e homens de bem em geral.
O projeto (no. 4641/98) estabelece normas para o exercício da profissão de escritor -- e já tinha sido sido aprovado pela Comissão de Educação e Cultura (!!) da Câmara. Há 15 dias, foi votado na Comissão de Trabalho, que a rejeitou, sob alegação de que não existe uma profissão específica de escritor e que a legislação brasileira já asseguraria os direitos dos escritores sobre suas obras.
O texto vai agora para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
Todo cuidado é pouco... Lembrem-se do que aconteceu com a profissão de jornalista: exercida tradicionalmente pelas melhores cabeças nacionais, acabou ficando restrita a um punhado de idiotas com diproma universitário de Comunicação Social.
(Com as louváveis exceções de praxe, é claro.)
Coisa de político que adora regulamentações e policiamentos em geral. Autoritários vocacionais. Como os nossos queridos legisladores...




Comentários
Onde vamos parar, hein?! Só me faltava essa agora...
Enviado por: Leonardo Valverde | maio 19, 2008 08:45 PM
Vale lembrar, biblioteca pública e estudo vêem de longe algum trocado! Isso, sim, ajudaria o ofício de escritor.
Ou não?!
Enviado por: léo e só | maio 19, 2008 10:32 PM
Não sabia dessa palhaçada não. Cada dia que passa e fico sabendo mais uma desses malditos totalitários, penso que J.Deus e Silva é o personagem que melhor representa o pensamamento político brasileiro desde que este partido dos tranbiqueiros conquistou de uma vez e para sempre, o poder.
*
Vi que o projeto tramita desde 1998, mas o Olavão já explicou como o processo vem ocorrendo, e há um Escritor_ sem carteira de sindicado de escritores_ que tem um livro tanto mais curto quanto mais profundo e elucidativo, sobre tudo isso que tem ocorrido, o livro se chama "Braz, Quincas & Cia".
Conhecem o Autor?
Enviado por: Carlos Eduardo | maio 20, 2008 07:12 AM
Caro Antonio Fernando, pela primeira vez escrevo um comentário num blog (site, como vc. prefere) de alguém - espero que funcione! A razão? Hoje li uma frase de um crítico inglês, Cyril Connolly, que me fez lembrar de nossa derradeira aula...
Se me recordo foi uma pergunta sua, o que eu pensava a respeito de minha literatura, para quem eu escrevia, o que esperava, etc. Nas aulas, de um modo geral, eu sempre tenho a impressão de que me expresso errado, ou de forma excessiva; nunca digo com clareza o que me vai à mente.
Contudo, consola-me a percepção de que a minha vocação não é a retórica, mas o escrever, talvez por aqui eu me dou tempo para pensar, posso fazer correções, esperar o texto amadurecer... Mas vamos à frase de Cyril Connolly: "Melhor escrever para si mesmo e não ter público do que escrever para o público e não ter a si mesmo".
Teria sido a resposta apropriada à sua pergunta, e acho que vc. vai gostar muito da frase; até onde eu fui capaz de perceber, em nossas conversas e em seu livro, ela diz tb. muito bem sobre o seu labor literário, um abraço, Karleno.
Caríssmo: muito me honra sua visita à minha choupana internética. A frase é ótima e (você tem razão!) define tb meu fazer literário. Um abração e até a próxima aula ou próxima visita sua... AFB
Enviado por: Karleno Bocarro | maio 20, 2008 10:24 AM
O que vai ser do Marcelino Freire agora?
Enviado por: Jonas | maio 21, 2008 11:38 AM
Olá, pessoal...
Regulamentar a profissão de "escritor"? Alguém sabe que tipo de profissional é esse? Dá pra ser profissional por decreto? Curso universitário de escritor, em quatro anos!
Sobre escrever e nada ganhar por isso, escrevi algo em http://fauth.blogspot.com/2008/05/livro-de-graa.html
Se puderem, dêem uma passadinha por lá.
Outra matéria afim, em outro blog:
http://blogescritor.blogspot.com/
Enviado por: Wallace Fauth | maio 21, 2008 01:20 PM
Como se a falta de competência já não fosse motivo suficiente pra inibir os bons escritos... Enfim?
Enviado por: Shi | maio 21, 2008 03:28 PM
Caro Borges:
Você deve ter acompanhado pelos jornais o lamentável episódio dos índios que, armados com facões, por pouco não puseram fim à vida daquele engenheiro. Pelo visto, nunca antes nesse país, uma elite se viu tão acuada pela opressão exercida pelos oprimidos, de quem, por sinal, vem o pior imperialismo.
Um dos maiores cronistas do século XVI, Gabriel Soares de Souza, chamava atenção, no seu famoso Tratado, para a capacidade de dissimulação dos índios, entre outras más qualidades morais de que esses “bons selvagens” seriam portadores. O problema está no fato de que o que poderia ser visto como mais uma manifestação de preconceito contra os tanguinhas nada mais era que resultado da mais pura observação.
Por fim, quando vejo os tanguinhas evocando sua condição autóctone toda vez que cometem crimes, tendo como aliado a Teologia da Libertação de Che, não vejo como negar que cometem o de “falsidade ideológica” cada vez que respiram.
E qualquer semelhança com “Animals farm” de George Orwell não é mera coincidência.
Um abraço
Jessé de Almeida Primo
R.: caro Jessé, como vai? Essa imunidade dos índios constitui um verdadeiro crime de lesa-pátria! E pensar que tanta gente ainda leva a sério essa disciplina criminosa chama Antropologia, responsável pela santificação desses ímpios e canibais! Maior é Deus! Abração! AFB
Enviado por: Jessé de Almeida Primo | maio 23, 2008 11:13 AM