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Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em junho 27, 2008 às

Para alguns (os piores, sempre) há de parecer absurdo ou contraditório. Mas este blogue interrompe seu silêncio involuntário para vir pedir aos leitores fiéis... "um minuto de silêncio".

Hoje, celebra-se um ano da morte de Bruno Tolentino -- sem dúvida (embora alguém sempre duvide!) um dos maiores poetas de língua portuguesa.

E, para um grande poeta, não se pode pedir mais do que silêncio -- e um par de aspas, é claro.

Para relembrar algum trecho inesquecível de seu legado, mas sobretudo para impedir que os tolos de cara alegre se animem a falar em seu nome:


"Tudo vai-se acabando, tudo passa
do que é ao que era; é tudo mais
ou menos uns vestígios de fumaça
no espaço do que deixas para trás.

E tudo o que deixaste ou deixarás
de manso ou de repente, sem que faça
diferença nenhuma no fugaz,
é assim como a garoa na vidraça:

intimações de lágrima delida.
Não valeu chorar nada. Nem te atrevas
a lamentar-te à porta da saída.,

pois pouco importa a vida como a levas,
que ela te leva a ti, de despedida
em despedida, a uma lição de trevas."


(Tudo bem: o poema é manjado -- mas meu luto não está nem aí para a originalidade. E agora silêncio, um minuto ou mais, pelo Bruno e -- ai! -- por cada um de nós...)


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Comentários

Falta um z no sétimo verso. Abraços.

Ooops! Já corrigi: obrigado, meu caro / AFB

Bruno Tolentino era realmente um dos maiores poetas da língua portuguesa e disse: "não basta saber o que é bom, mas por que é bom". E a gente sabe por que ele é bom, não é? Luto também por aqui. Um beijo

Que bom que o minuto de silêncio trouxe você de volta à escrita, camarada. :) E Tolentino merece, ça va sans dire. Abração.

Parabéns por "Agostinho", caro Antônio. Depois daquele conto, qualquer silêncio, mesmo que involuntário,é justificável.
*
Mais que um minuto de silêncio, farei muitos minutos de silêncio por Bruno "Talentino"_ Saint-John Perse, Nobel de Literatura, Yves Bonnefoy e Giuseppe Ungaretti apelidaram-no de "Talentino", em fina ironia, porque Bruno era arrogante, conta-nos o jornalista Hugo Studart na melhor reportagem já feita sobre Tolentino; (Revista República, Ano I, número 4,Fevereiro de 1997. Páginas 74-80)_ para reler alguns poucos poemas que tenho dele.
*
A supracitada matéria é fechada com os versos do esgotado e jamais reposto no mercado "As Horas de Katharina":

Adeus, poesia
Adeus, solidão.
Dou-vos uma fria
carícia de mão,
a mão leve, esguia,
hesitante e tão
cheia de emoção,
que é quase harmonia,
quase paz, meu trêmulo,
meu último adeus...

Tocai-os, os meus
dedos, os meus remos
soltos, mas deixemo-los,
demo-los a Deus.

Que você não nos dê tantos silêncios, Antônio.:-)
Adorei a escolha do poema em homenagem ao Bruno Tolentino.
Um minuto de silêncio.
Abraços

Obrigado, gente! Dá vontade de voltar logo...a escrever

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