"A Carne"

É a velha guerra (meio santa, meio suja) de sempre:
Condenar a Igreja Católica (e a própria crença em Deus, e no Novo Testamento) por um punhado de desvios pedófilos e corrupções paroquianas é o mesmo que acusar a carne bovina pelos “estragos” decorrentes do prato-feito do boteco de esquina.
Em vão nutricionistas e religiosos se empenham em restabelecer a primordial diferença e argumentar em defesa do consumo da proteína animal e da isenção do credo católico: na Bolsa dos valores contemporâneos, naturebas, ecoterroristas e ateus em geral andam em alta.
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Lembro-me de um velho amigo (sobrevivente melancólico do hippismo dos anos ’70) que costumava arrematar cada discurso seu contra algum desafeto com a proverbial sentença: “Também pudera: comendo toda aquela carne vermelha!”
Da mesma forma, os detratores costumam pintar a Idade Média (apogeu do catolicismo) como a Era do Obscurantismo e das Trevas – sem que façam o menor esforço para explicar como um “bando de fanáticos obscurantistas” conseguiu afinal produzir esses prodígios de beleza e inteligência que são o canto gregoriano, a obra de Santo Tomás de Aquino, a Divina Comédia e as catedrais góticas...
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Mesmo dentro do âmbito específico das religiões, a guerra costuma ser desigual.
Quem não se lembra da reação tirânica e desproporcional dos muçulmanos por conta da publicação de algumas charges (irreverentes, como devem ser as charges) num jornal dinamarquês?
Quem não se lembra também da legião de intelequituais ocidentais que pularam ligeiros em defesa... dos islâmicos (?!!), acusando o(s) chargista(s) de blasfêmia?
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E no entanto...
E no entanto, piadas, livros e exposições de artes plásticas contra o Cristianismo, o celibato religioso e a figura do papa Bento XVI se multiplicam por aí, tanto na blogosfera quanto nas rodinhas acadêmicas “esclarecidas” e “inteligentes”.
Ou seja: se você freqüenta igrejas católicas e churrascarias-rodízio, prepare-se para o duro combate, que está só começando: é tempo de ateísmos, sociologismos e cientificismos. E de muito farelo de trigo, é claro!
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Argh!
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(Vai um hambúrguer-com-fritas aí?)




























