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Arquivado em: entrevistas — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 08, 2007 às

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Num mundo que padece de “demasias” (com gente, livros, filmes e até blogs demais), o jornalista, poeta e editor José Enrique Barreiro aposta, como poucos, na supremacia da qualidade sobre a Quantidade – hoje senhora e rainha quase absoluta. Desde 1997 no comando da Versal Editores, vem publicando livros e gerando conteúdo para grupos empresariais brasileiros e de outros países – na exata contramão dos que apostam na crise do livro e do capitalismo.

Publicar livros, para José Enrique Barreiro, tem que ser uma atividade prazerosa, ainda que não tão rentável quanto vender anzóis ou representar produtos farmacêuticos... E é dentro deste espírito que ele acredita não haver limites para o conhecimento e a criatividade do ser humano. Que venham, então, mais gente, mais livros, mais filmes e (por que não?) mais blogs.

Em tempos marcados pelo ceticismo sombrio e por um cinismo sem freios, é um alívio ver este cavalheiro à antiga ajudando a nutrir nosso mundo com sua sensibilidade e esperança.

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Editar livros tem futuro como negócio no Brasil?


Talvez eu não seja a pessoa certa para responder esta pergunta. Sou um editor que anda meio na contramão do mercado. Não edito livros como negócio, mas como atividade prazerosa. Mas arrisco dizer que sempre haverá mercado para o livro. Ele apenas terá que conviver com outras formas de criação e produção de conhecimento e arte. Coisa, aliás, que já acontece. Escritores e editores terão que encontrar caminhos para afirmar a presença do livro nessa babel cultural em que vivemos e viveremos. É criatividade e trabalho, muito trabalho, meu chapa.



Já não há livros demais no mundo?


Sim. Mas também há gente demais, carros demais, blogs demais, filmes demais... O mundo talvez esteja padecendo de demasias, roseanamente falando. Procuro produzir poucos livros por ano e tratar muito bem a cada um deles. Repito: é fundamental deleitar-se. Por isso escrevo e edito. Se não fosse isso, procuraria uma atividade mais rentável: uma loja de anzóis ou uma representação de produtos farmacêuticos, sei lá.


O que ainda falta(ria) editar?

É um paradoxo que haja livros em demasia e ainda haja tanto por editar. Não há limites para a produção do conhecimento e para a criatividade humana. Tudo o que será conhecido e criado estará por editar. No Brasil há espaço para livros que iluminem o grave apagão intelectual e espiritual que ofusca a maior parte das mentes deste país.


Afinal: na média, o livro brasileiro é caro ou barato?

Depende da renda do sujeito. A referência é a renda. Para quem ganha bem, é relativamente barato. Muito mais barato que um jantar, por exemplo. Para o pobre, é caro. Agora, o livro tem seu custo e seu preço. É na ponta do lápis. O Lula, que faz questão de dizer, com certo orgulho, que não entende nada de livros, saiu por aí bradando que o livro é caro porque as editoras querem ganhar muito. Você veja como a ignorância produz manifestações patéticas. Ora, as editoras são as empresas que investem no livro e hoje ficam com cerca de 30 a 40 por cento do seu preço final. A maioria vive com a língua de fora. Como há muito mais editoras que pontos de venda, estes últimos, pelo jogo de pressão do mercado, vêm mordendo fatia cada vez maior da composição do preço do livro, principalmente as grandes redes. É o mercado, meu chapa.

Não sou contra o mercado, pelo contrário. Mas seria papel das associações de editores (sem governo, deixa o governo de fora, quanto mais longe de governos, melhor) estimular, por exemplo, o fortalecimento da pequena livraria, de bairro, onde também se forma o gosto pela leitura e onde se resiste ao livro como produto de prateleira e às grandes redes livreiras com suas exigências descomunais. Os ingleses fazem isso. Lá, a pequena livraria tem todo o apoio das associações de editores e escritores. Já aqui....



Arquivado em: entrevistas — postado por Antonio Fernando Borges em outubro 01, 2007 às

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O negócio de editar livros é, por natureza, pequeno, descentralizado, improvisado e pessoal - ou, pelo menos, é o que afirma o americano Jason Epstein, ex-diretor editorial da prestigiada Random House, importante editora em escala planetária, que de pequena e improvisada, aliás, não tem nada. Hipocrisia? Nem tanto: talvez seja simples necessidade de negar a realidade, uma superstição anticapitalista bem contemporânea...

Parece que o destino do "negócio de editar livros", em todo o mundo, é não ser levado tão a sério quanto as outras atividades capitalistas. E no Brasil (mais grave ainda!) parece quase um destino do próprio capitalismo não ser encarado (ou não se aceitar) como tal.

Talvez justamente por isso, o negócio (capitalista) de editar livros atraia tantos sonhadores. Um deles é Alvanísio Damasceno, amigo querido, poeta e jornalista, que comanda a pequena Quartet Editora.

A Casa foi criada há cerca de 15 anos para atender a uma demanda por livros na área de gestão empresarial. Algum tempo depois, mudou o foco para o segmento acadêmico/universitário, nas áreas de Educação e Comunicação.

Por acreditar que sonhar-não-custa-nada, meu bom amigo Alvanísio sonha com um Estado que regulamente as relações entre as editoras, concorrentes necessariamente desiguais, como em qualquer negócio capitalista. Por isso, ele valoriza as compras maciças de livros escolares promovidas pelo Governo e qualquer eventual ação que contrabalance a tendência à concentração do setor (como a implantação do preço fixo, por exemplo).

Alvanísio Damasceno vem inaugurar a série de entrevistas que este blogue sonha (não "custa nada", afinal) publicar com os pequenos grandes editores brasileiros.

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Como anda o mercado de livros acadêmicos?


Não é de hoje que o mercado de livros acadêmicos vive espremido entre as cópias xerox feitas pelos alunos e a falta de verba das universidades para renovar o acervo de suas bibliotecas. As tiragens são cada vez menores e os preços de capa, maiores. Há algumas brechas, como o apoio a publicações feito por instituições do tipo Faperj ou Fapesp e algumas compras governamentais (como as feitas pelo Ministério do Meio Ambiente para formar suas bibliotecas Sala Verde, por exemplo), mas é pouco para garantir a manutenção ou ampliação desse mercado. Há autores que propõem financiar a publicação de suas teses/dissertações, mas as possibilidades de se publicar uma obra importante nesses casos diminuem muito. A oferta de documentos científicos em meios eletrônicos (bibliotecas virtuais) e a possibilidade de publicação no sistema on demand (com tiragens de 10 /20 exemplares) resolvem o problema de pesquisadores interessados em um tema muito específico e o de autores que publicam só por vaidade...


Já não há livros demais no mundo?

Tenho esta sensação, de que há livros demais no mundo – a começar pela minha própria biblioteca, que cresce muito mais do que minha capacidade de leitura. Se eu considerar que há uma quantidade enorme de livros que não me interessam, esta sensação aumenta ainda mais Mas torço para que os editores que publicaram estes livros desinteressantes para mim tenham feito a aposta certa e que haja leitores para eles. Afinal, desde que um livro tenha leitores, já merece ser publicado – e não digo isso pensando apenas no retorno comercial da publicação.

O que falta(ria) ainda editar?


Todo ano, centenas de teses e dissertações são aprovadas com louvor e recomendação para publicação. É bem verdade que boa parte delas obteve esse status graças ao interesse das bancas em ver publicadas pesquisas que tragam visibilidade e verbas para seus programas de pós-graduação... Mesmo assim, muitos desses seriam aprovados pelos conselhos editoriais das editoras, por sua importância como documento científico – só que, por falta de capital para investimento ou falta de confiança no retorno comercial, acabam não sendo publicados.

Mas há um livro, que já foi publicado, que eu acho que ainda falta reeditar: Moronguêtá, uma espécie de Decameron indígena, do veterinário (por formação) e etnólogo autodidata Nunes Pereira. O livro reúne mitos e lendas de índios da Amazônia, terra do amor livre e sem culpa. Só por essa coleta, Nunes Pereira já poderia ser considerado nosso Boccaccio – mas ele vai além: descreve o cenário em que vivem (fauna, flora, arquitetura), hábitos, culinária, vestuário e crenças dos índios que criaram os contos eróticos incluídos no livro e mostra que os tristes trópicos não eram tão tristes assim.


Livro com preço fixo: quem ganha com isso?


Eu nunca fiz um estudo científico a respeito, mas não me sai da mente a crença de que há uma porção de leitores que não encontram seus livros nas grandes livrarias e uma porção de livros que não encontram seus leitores porque as livrarias que poderiam abrigá-los estão fechando. Isso é fruto da acentuada concentração do mercado de livros em conglomerados editoriais e grandes redes de livrarias.

Quem defende a implantação do preço fixo do livro acredita que essa medida aumentaria a bibliodiversidade – quer dizer, criaria as condições para que as pequenas editoras pudessem publicar mais e melhores títulos, porque teriam como escoar sua produção por meio das livrarias independentes, que deixariam de sofrer a concorrência das grandes redes de livrarias e dos sites de compras. Se não melhorar a vida dos pequenos, pode acabar com alguns inegáveis abusos, como o das Lojas Americanas, do supermercado Extra e outros pontos de venda alternativos, que oferecem livros da Ediouro a R$ 9,90 - enquanto estes mesmos livros só são vendidos a pequenos livreiros pelo preço de capa normal, muitas vezes superior a R$ 50,00. (Já tem pequenos livreiros comprando a R$ 9,90 no Extra pra vender a R$ 18,00 em suas lojas...)
Não há nenhuma garantia de que o preço único do livro mudaria esse cenário – mas há uma esperança, e talvez valesse a pena testá-la.



Arquivado em: entrevistas — postado por Antonio Fernando Borges em julho 19, 2007 às

Publicado originalmente em Pequena Morte.

Nascido no Rio, vencedor do finado prêmio Nestlé em 1997 por Que fim levou Brodie?, autor de dois romances publicados pela Companhia das Letras - Brás, Quincas & Cia (2002) e Memorial de Buenos Aires (2006) -, Antonio Fernando Borges destaca-se por conseguir, em seus livros, misturar a reflexão sobre a própria literatura, fazendo referências a Borges e Machado de Assis, com a reflexão sobre a natureza do tempo e a relação entre a consciência individual e pressão social, não através de choques diretos, mas de pequenas situações de desconforto.



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Além da língua e da ortografia, existe algo que demarque nitidamente a nacionalidade de uma literatura? Existe uma sensibilidade brasileira que difere em algum ponto fundamental de uma sensibilidade portuguesa, por exemplo, e permite sua identificação?

Sou, por temperamento, avesso a determinismos de toda ordem – com especial aversão pelos determinismos lingüísticos e (argh!) sociológicos. Essa tropa de choque, cujo nome é Legião, vive tentando nos convencer de que a sensibilidade, o pensamento, o espírito (enfim, o que há de melhor em nós) são coisas sempre delimitadas por fronteiras geopolíticas e por estruturas e categorias verbais. Parecem esquecer que, se fosse assim, só os russos poderiam compreender e admirar Dostoievski, e o acesso à obra de Shakespeare estaria comprometido para além dos limites do velho império britânico...

De minha parte, além de ser católico, sempre “comunguei” da idéia de Tolstoi: a aldeia mais modesta merece (e deve) ser cantada de uma perspectiva universal. Nacionalidades e especificidades são aspectos inegáveis, mas necessariamente óbvios e secundários. O resto é humanismo barato...

Quanto a uma possível “sensibilidade brasileira”, infelizmente não há como deixar de ver e lamentar o abismo cada vez maior que separa o Brasil da espécie humana. Nesse sentido, são “coisas nossas”: a incapacidade de distinguir o que é verdadeiro daquilo que é a mera projeção de uma vontade infanto-juvenil; nosso gosto romântico (“brasileiríssimo”!) pelo coloquial e pelo popular, de trágicas conseqüências não só estéticas, como o Modernismo e a MPB, mas sobretudo políticas e morais, como o populismo e o MST.

Enfim, para tentar uma síntese: o que nos distingue da matriz portuguesa é aquilo que temos de pior.


Apesar de comum no mundo anglo-saxônico, o jornalismo literário de fôlego – penso em livros jornalísticos inteiramente devotados a um único assunto escritos por jornalistas, e não em matérias e artigos – nunca pegou no Brasil, apesar da admiração que muitos brasileiros têm por seus representantes, como Truman Capote. Por que são tão poucos – só consigo lembrar de alguns títulos voltados a escândalos da política – os livros jornalísticos por aqui?

Arrisco uma tese: o jornalismo praticado no Brasil é uma mistura de propaganda ideológica e fantasia, temperada com uma boa dose de incultura e preguiça crônicas. Diante, por exemplo, do presidente Lula ou do Santo Papa, nossos homens de imprensa se comportam sempre como militantes políticos – servis ao primeiro, revoltados contra o outro. Ou seja, são capazes de se curvar diante da autoridade, mas nunca diante das evidências.

A questão é que o jornalismo literário a que você se refere requer não apenas talento e conhecimento, mas principalmente uma postura de admissão e aceitação objetiva da verdade dos fatos – um exercício de humildade que a arrogância tupiniquim tornou absolutamente inviável. “Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”, dizia Fernando Pessoa. Mas sabedoria, por aqui, já viu, não é? É brinquedo que não tem mais, ou – pior! – nunca fez parte do estoque.

Na falta disso, o máximo de literatura a que nosso jornalismo consegue aspirar é o famigerado gênero da crônica – uma praga que se espalhou entre nós como planta daninha. Com as honrosas exceções de sempre (Rubem Braga, Nelson Rodrigues e uns poucos mais), é sob a sombra confortável deste rótulo que boa parte de nossa subliteratura se abriga.

Afrânio Coutinho escreveu que "no Brasil, a vida literária é mais importante do que a literatura". Hoje existe uma cena literária forte no Rio de Janeiro, e a impressão é de que a cada leitor corresponde um aspirante a autor. Você acha que a ingenuidade literária hoje é maior do que em outros tempos, e que a vida literária se tornou ainda mais ou finalmente menos importante do que a literatura?

Mais uma tirada afiada do decano. Nossa imortal “sede de nomeada”, de que falava Machado de Assis no genial Brás Cubas, sempre dotou o Rio de Janeiro (desde os tempos do Império) de uma vida literária intensa – e de uma literatura pífia. Nisso, para lembrar uma tirada impagável de Gustavo Corção, ela sempre pareceu um bordel: muito barulho e pouca fecundidade...

Que todo leitor seja um aspirante a escritor não é o que mais admira e consterna: o pior é esta hipótese absurda de que talvez haja mais escritores do que leitores (falo de literatura especificamente, não do mercado editorial em geral): arriscaria dizer que muitos de nossos jovens autores já escreveram mais livros do que leram, no sentido mais profundo da palavra.

Mas eu não chamaria isso de “ingenuidade literária”: é malícia da grossa, malandragem das piores!

Você acredita que a formação do romancista é um processo essencialmente solitário ou que o contato físico ou epistolar com outros romancistas é importante? Pergunto isto porque tenho a impressão de que o contato entre poetas é mais comum e mais decisivo para seus escritos do que o contato entre romancistas.

A solidão está na base da formação dos grandes espíritos. Escrever, como ler, pressupõe aquela “interrupção temporária e corajosa de toda a ligação com o mundo” de que falava Santo Agostinho. São muitos os exemplos de pessoas que se aprimoraram no recolhimento e na solidão.

Claro que não existe receita para isso, porque também se pode aprender através do convívio, da aceitação da crítica e das sugestões dos outros. No meu caso, atuo na solidão, em termos literários – mas como esta resposta não pode ignorar a resposta anterior, desconfio que não estou perdendo muita coisa do convívio intenso e vaidoso da atual cena literária da cidade e do país.

Quanto à diferença entre poetas e romancistas, acho que isso acontece porque, quando o aprendiz de poeta é pessoa séria e empenhada, ele sabe que tem muito a aprender, se quiser ser mais do que um declamador de bares da orla. Em contrapartida, o aprendiz de romancista acha que já “aprendeu o essencial de seu ofício” nos bancos escolares, daí preferir encontrar seus pares nos lançamentos e sob os holofotes da tal “cena literária”...

Ao ler um romance, quais são os critérios que você utiliza para dizer: "isto é bom"? E quais são as razões que te levam a, subjetivamente, preferir certos livros a outros?

Eis aí uma questão fundamental, difícil mesmo, que a maioria das pessoas em geral resolve pelo caminho fácil da filiação (no fim das contas ideológica) a uma corrente de opinião alheia – ou, então, empinando o nariz e citando os autores da hora... Na verdade, estes critérios (“por que isto é bom?”) envolvem o chamado cultivo do gosto, que tem a ver com a educação do espírito e até dos sentidos – e tudo isso tem a ver com a questão do autoconhecimento, um passo decisivo no caminho da sabedoria.

No Brasil, onde todos defendem o “direito de ter uma opinião”, esquecendo no mais das vezes o dever de buscar a verdade, as coisas sempre acabam se ajeitando num subjetivismo que pouco ou nada acrescenta à própria história de cada um. Mas o fato é que bom gosto e bom senso (elementos decisivos no modo ético-estético de encarar o mundo) são questões objetivas, concretas – e não uma “terra de qualquer um”. Mas, entre nós, cada um prefere “achar” o que quer – e fim de papo. Feliz, ou infelizmente, perdi há muito esta “inocência” (na verdade, uma malandragem das boas...), e então, quando me faço a pergunta estou me colocando um grande desafio: por que este romance é bom? Não me contento com a mera sensação de prazer que sua leitura acarreta: ele é apenas um dos fatores! Há fatores igualmente importantes, como a questão semântica (o que o romance diz, os valores que transmite), a forma como o assunto é tratado (sua sintaxe, a seleção e combinação das palavras), a harmonia do conjunto, a sensação de beleza que tudo transmite... São tantas coisas em jogo! Porque, para além da avaliação específica de cada livro, existe a obrigação de inseri-lo, comparativamente, no conjunto da literatura e da cultura – tarefa a que os tolos e poltrões também se furtam, contaminando o âmbito cultural de uma idéia equivocada de democracia igualitária. Mas, queiram ou não, cultura é hierarquia!

Trata-se de um questionamento solitário, que no fim das contas não difere muito do meu autoquestionamento de escritor. Porque em mim o leitor e o escritor sabem que se trata de um problema objetivo, e não de uma vaidade “subjetivista”. E aí começa todo o drama, que vai se precipitando sem máscaras e, no meu caso, também sem testemunhas, desde que abandonei a prática de escrever as malfadadas resenhas de suplementos literários.

Claro que este esforço de objetividade não elimina as arbitrariedades subjetivas. Mas, a cada livro que começo a ler, a esperança se renova: desta vez, eu chego um pouquinho mais perto!