"O Silêncio"
Para alguns (os piores, sempre) há de parecer absurdo ou contraditório. Mas este blogue interrompe seu silêncio involuntário para vir pedir aos leitores fiéis... "um minuto de silêncio".
Hoje, celebra-se um ano da morte de Bruno Tolentino -- sem dúvida (embora alguém sempre duvide!) um dos maiores poetas de língua portuguesa.
E, para um grande poeta, não se pode pedir mais do que silêncio -- e um par de aspas, é claro.
Para relembrar algum trecho inesquecível de seu legado, mas sobretudo para impedir que os tolos de cara alegre se animem a falar em seu nome:
"Tudo vai-se acabando, tudo passa
do que é ao que era; é tudo mais
ou menos uns vestígios de fumaça
no espaço do que deixas para trás.
E tudo o que deixaste ou deixarás
de manso ou de repente, sem que faça
diferença nenhuma no fugaz,
é assim como a garoa na vidraça:
intimações de lágrima delida.
Não valeu chorar nada. Nem te atrevas
a lamentar-te à porta da saída.,
pois pouco importa a vida como a levas,
que ela te leva a ti, de despedida
em despedida, a uma lição de trevas."
(Tudo bem: o poema é manjado -- mas meu luto não está nem aí para a originalidade. E agora silêncio, um minuto ou mais, pelo Bruno e -- ai! -- por cada um de nós...)

































































